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Foto: Arquivo Público do DF
Cruz do Cruzeiro
"O CRUZEIRO DE BRASÍLIA
Braços abertos para a imensidade,
ei-lo que se ergue no alto, como um grito
soberbo de Fé, contra o infinito.
Tosco madeiro, - quanta majestade
possui no entanto! Que emoção me invade
a alma se, ansioso, os olhos nêle fito
para aquietar o Coração aflito,
na incessante procura da Verdade.
Ei-lo: braços abertos! Na amplidão,
mais se alarga o horizonte... É o sertão,
que convida ao trabalho o Mundo inteiro.
Braços abertos sôbre a terra!... Do alto,
na mensagem de Amor lá do Planalto,
- "Sêde todos irmãos" - lembra o Cruzeiro."
Geraldo Costa Alves, "Poetas de Brasília".
01 de maio de 1955
O marechal José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, paraibano de Cajazeiras, presidente da Comissão de Localização da Nova Capital Federal, manda fincar cruz de madeira no ponto mais alto (1.172 metros de altitude) e considerado o marco fundamental de Brasília, atual Praça do Cruzeiro onde hoje há uma réplica.

Cruz tosca e bela erguida por Bernardo Sayão e Peixoto da Silveira. Foi substituída pelo grande cruzeiro de
aroeira ao pé do qual D. Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota celebraria, em 3.5.1957, a primeira missa
oficial. Foto: Arquivo Público do DF
Ponto mais alto
Antes da conclusão dos trabalhos da Donald J. Belcher – duram de abril de 1954 a fevereiro de 1955 -, ocorre o suicídio do presidente Getúlio Vargas, em 24 de agosto de 1954. O mapa político do país muda radicalmente. Assume o vice-presidente oposicionista João de Campos Café Filho, potiguar de Natal, que substitui o general Caiado de Castro pelo marechal José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque – paraibano de Cajazeiras, combatente na Primeira Guerra Mundial, idealizador da construção da Academia Militar das Agulhas Negras – na presidência da Comissão de Localização. Homem determinado, reto e decidido, Pessoa abraça o projeto como desafio pessoal. Entra nele de corpo e alma, quase obsessivamente. Antes de tudo, mergulha fundo nos estudos preliminares da Belcher. Eles apontavam cinco sítios, cada qual com mil quilômetros quadrados e pintado em cor diferente dentro do chamado Retângulo do Congresso. Verde, Vermelho, Azul, Amarelo e Castanho.
O marechal Pessoa decide conhecer imediatamente a área. Apesar de idoso, não se poupa. Faz viagem extenuante. Toma avião no Rio de Janeiro, pousa em Pirapora, Minas, e continua até Formosa, Goiás, onde passa a noite. No dia seguinte, voa para Planaltina, Goiás. Daí, de jipe, realiza várias incursões cerrado adentro na área estudada. No final, manda tocar para o ponto mais elevado, localizado no Sítio Castanho do mapa da Belcher, com até 1.172 metros de altitude. Mas não apresenta suas conclusões naquele momento. Prefere aguardar o término dos trabalhos contratados, que recebe menos de um mês depois, no final de fevereiro de 1955. É o Relatório Técnico sobre a Nova Capital da República, conhecido como Relatório Belcher.
Finalmente, reunida em 15 de abril de 1955, a Comissão de Localização da Nova Capital compara vantagens e desvantagens das cinco áreas prioritárias para a construção da cidade. Opta pelo Sítio Castanho, 25 quilômetros a sudoeste de Planaltina. Define também o perímetro do futuro Distrito Federal. Área: cerca de 5.850 quilômetros quadrados. Em maio de 1955, o marechal José Pessoa manda fincar cruz de madeira no ponto mais alto, considerada marco fundamental da cidade. É na atual Praça do Cruzeiro, onde há uma réplica. A cruz original foi levada para a Catedral Metropolitana. Profundamente católico, o perseverante Pessoa sugeriu dar à nova capital o nome de Vera Cruz. É lá no Cruzeiro, dois anos depois, maio de 1957, a cidade fervilhando de obras, que Dom Carlos Carmelo, arcebispo de São Paulo, rezará a primeira missa.
(Extraído do livro "Brasília Kubitschek de Oliveira", de Ronaldo Costa Couto)
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