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27 de Fevereiro de 2010

 

BRASÍLIA - FEVEREIRO DE 1960

 

 

 

01
Discurso presidencial – No despacho coletivo com o Ministério, às 7 horas da manhã, no Palácio do Catete, o Presidente Juscelino Kubitschek assim se refere a Brasília em seu discurso:
“Posso dizer, sem hipérbole, que a decisão relativa a Brasília constituiu para mim um esforço bem mais considerável do que toda a solicitude em acompanhar a parte executiva dessa obra, em verdade imensa e que temos de atribuir, não só à proteção de Deus, que não nos faltou, como à capacidade de trabalho de nossa gente, à dedicação inexcedível dos chefes e dos operários. Naquela ocasião, medi os prós e os contras, avaliei as dificuldades de toda a ordem: as materiais, com todo o cortejo de repercussões econômicas e problemas técnicos; mas, sobretudo, o significado de resolução e a gravidade decisiva do ato. O imperativo constitucional fora repetidamente ignorado e seria fácil permitir que continuasse letra morta. Mas a criação de Brasília, a interiorização do Governo, esse ato dramático e irretratável de ocupação efetiva do nosso vazio territorial, essa demonstração inequívoca de fé na capacidade realizadora dos brasileiros, esse triunfo do espírito pioneiro, essa prova de confiança na grandeza deste país, essa ruptura completa com a rotina e o conformismo, eu a sentia em intima e perfeita correspondência com a aspiração máxima do povo brasileiro: a revolução do desenvolvimento nacional. Brasília foi o primeiro ato dessa revolução, fecundo em conseqüências, a meta número um, a meta-síntese de um Brasil renovado.
Brasília significa, não apenas a mudança da sede de um Governo, mas de todo o rumo de uma grande nação. Sei como são fortes as resistências e os antagonismos, porque sei até onde essa mudança tem um aspecto revolucionário, porque estou bastante lúcido quanto à serie de transtornos e de modificações que ela vai ocasionar. Não fugirá a ninguém o aspecto heróico da empresa, nem os sacrifícios requeridos; mas o dia de amanhã explicará melhor do que qualquer discurso – que Brasília obedeceu a uma imperiosa necessidade. Mas dia, menos dia, seria necessário colocar o Brasil no seu centro, conquistar essa parte importante do seu território, integrar o país em si mesmo.
Eu me dou por feliz pelo privilégio de construir Brasília, de realizar essa aspiração, que pareceu inatingível a muitas gerações de brasileiros, em tempo recorde, mostrando ao mundo que somos capazes de fazer o que queremos, e fazer como melhor não o fariam outros povos, que marcham na vanguarda da técnica e da civilização.”

Caravana de Integração Nacional – Em Goiânia, todas as colunas da Caravana se concentram, entre homenagens populares, para a última parte da jornada, a efetuar-se de 1º a 2 de fevereiro, até Brasília.
Chegando a Brasília, os integrantes da Caravana concentrar-se-ão no parque Dom Bosco.

Remoção de pessoal – O Presidente Juscelino Kubitschek, em despacho proferido em exposição de motivos do D.A.S.P., aprova minuta do convênio a ser estabelecido com o Grupo de Trabalho, bem como o respectivo Plano de Aplicação, da importância de 580 milhões de cruzeiros, destinada a despesas de quaisquer natureza, com a remoção do pessoal para Brasília, inclusive aluguel e arrendamento de imóveis.

Rodovia Belém do Pará-Brasília – Tendo visitado a Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional no “Estreito” do Tocantins, o senhor Mattos Carvalho, Governador do Maranhão, viaja por via aérea até Goiânia, a fim de ali esperar a Caravana, com a qual chegará a Brasília.
Falando à imprensa da cidade, o governador Mattos Carvalho externa seu grande entusiasmo pelo que lhe foi dado observar da rodovia Bernardo Sayão, ressaltando a significação da estrada para o desenvolvimento do país:
“A estrada Belém-Brasília – diz – é um símbolo de progresso e dignifica um governo porque representa o enriquecimento de uma nação.”
Continua declarando que Brasília dá aos brasileiros a certeza de que está surgindo uma pátria nova, merecendo, por isso, todos os sacrifícios e não sendo admissível a protelação da mudança da sede do Governo para a nascente cidade.
Concluindo, afirma o Governador que seu Estado, o Maranhão, já sente os efeitos benéficos de Brasília e da rodovia, visto ser maranhense o mais próximo porto marítimo e estarem todas as cidades do sul maranhense, especialmente a região de Imperatriz, ligadas à futura capital federal pela rodovia de integração nacional.
Fazenda Nacional – O senhor Raymundo Brígido Borba, Diretor-geral da Fazenda Nacional, constitui seu Gabinete definitivo, que deverá embarcar para Brasília antes da transferência da Capital.
Ranieri Mazzilli – O Presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, dirige ao Presidente Juscelino Kubitschek o seguinte telegrama:
“Peço ao eminente Presidente e amigo receber minhas congratulações efusivas pela partida da Coluna motorizada que participa da Caravana de Integração Nacional, simbolizando o sonho que seu dinâmico idealismo transformou em realidade brasileira”.
Declaração presidencial – Na inauguração do Mercado Livre do Produtor no 2, no Rio de Janeiro, o Presidente Juscelino Kubitschek, falando de improviso, assim se refere ao encontro, em Brasília, no dia 2 de fevereiro, da Caravana de Integração Nacional:
“Dentro de poucos minutos, vou transpor os céus deste País e, em algumas horas, descer no Planalto Central, onde, amanhã, assistiremos a uma solenidade singela, porém tocante e de profunda significação nacional: o encontro das Caravanas de Integração Nacional. Sabem o que significa esse movimento? Saíram de Belém, no Estado do Pará, às margens do Rio Amazonas, 65 automóveis, conduzindo 250 pessoas, para uma viagem até Brasília. Outros tantos automóveis saíram de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, ao encontro dessa caravana em Brasília. São quase 5 mil quilômetros de território brasileiro que estão sendo atravessados, de Norte a Sul, pela primeira vez na história do Brasil. E com uma particularidade: todas as caravanas transportadas por automóveis brasileiros, utilizando petróleo brasileiro e rodando em estradas pavimentadas com asfalto brasileiro.
É o Brasil que se levanta nos seus próprios pés para dominar as dificuldades e começar uma nova marcha, que nos dará a emancipação e a liberdade econômica. Daqui partiu outra caravana, que chegará amanhã a Brasília; de Cuiabá, no longínquo Mato Grosso, saiu outra caravana, que amanhã também como a daqui se encontrará em Brasília, formando uma verdadeira cruz de travessia do Brasil, em todas as suas direç cruz de travessia do Brasil, em todas as suas direções.
Os senhores devem ter ouvido falar no que foi o drama para romper esta estrada através da floresta virgem e impenetrável da região amazônica. Nós a atravessamos com o maior esforço, devassamos os mistérios mais impenetráveis do território brasileiro, e hoje esta Nação já pode ser circulada de Norte a Sul e de Leste a Oeste.
Os descrentes, os negativistas não acreditavam fossem possíveis empreendimentos de tal envergadura. Havia no País uma mentalidade ainda negativa, uma mentalidade que apelava sempre para a beira do abismo. Nós a estamos vencendo, nós a estamos dominando, e no fim deste Governo a Nação terá os instrumentos básicos indispensáveis para caminhar sozinha, independente e livre, na rota do seu destino.
Eu sabia que dificuldades inúmeras teria que enfrentar nesta jornada. Sabia que teria que exigir sacrifícios do povo brasileiro, mas pergunto: qual a maneira de uma nação progredir? Viver à custa de auxílios estrangeiros, colonizar-se, humilhar-se diante dos mais poderosos, para realizar o seu desenvolvimento, ou lutar com as próprias forças e vencendo as dificuldades, orgulhosamente proclamar que tem bravura e energia para forjar o seu próprio destino?
Estamos, nesta hora, assistindo a uma nova marcha do Brasil. Estamos subindo o Planalto Central, para conquistar dois terços desta Nação, ainda completamente desertos.”

02
Caravana de Integração Nacional – Em Brasília, celebra-se a cerimônia da chegada das quatro Colunas da Caravana de Integração Nacional. Já considerável massa popular se acumulava na Praça dos Três Poderes, na manhã de hoje, presentes numerosas autoridades, quando o Presidente Juscelino Kubitschek ali chegou, em helicóptero da FAB, para a recepção às Caravanas de Integração Nacional. Estas deram então entrada na praça, à frente a Coluna Sul, seguida pelas Colunas Leste, Norte e Oeste.
O Chefe do Governo, em pessoa, apresenta as boas-vindas aos integrantes das colunas, cumprimentando-os e trocando rápidas palavras com vários deles. Nessa ocasião, o entusiasmo popular chega ao auge, observando-se que a Coluna Norte merecia especial atenção de parte da multidão.
Depois de percorrer todo o trajeto em que estacionavam os números veículos, o Presidente Kubitschek deixa o local, ainda no helicóptero da FAB, acenando para o povo com a Bandeira Brasileira que, trazida de Belém, lhe fora ofertada pela Coluna Norte.
De grande solenidade se reveste a Missa de Ação de Graças que, como parte do programa de recepção, é celebrada pelo padre Teixeira, pároco de Brasília, no local em que se erguerá a Catedral de Brasília. Assistem ao ato o Presidente da República, D. Sarah Kubitschek, governadores de Estado, o Prefeito do Distrito Federal, parlamentares, demais autoridades em visita à cidade, todos os membros da Caravana de Integração Nacional e a quase totalidade da população de Brasília. Aviões da FAB, em vôos rasantes, deixam cair uma chuva de papel picado, antes da cerimônia religiosa.
Momentos antes da Missa, o Arcebispo de Goiânia pediu à comissão que até ali trouxera a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, padroeira de Belém, que a colocasse no altar, ao lado de Nossa Senhora Aparecida, padroeira de Brasília.
O sermão pronunciado por D. Fernando Gomes é todo ele alusivo à marcha realizada pela Caravana de Integração Nacional e à sua significação para o futuro do país. Encerrando-a, diz o Arcebispo de Goiânia:
“A marcha começou, para o triunfo do futuro do Brasil”.
Às 14h, realiza-se o churrasco, que reúne todas as autoridades que se encontram em Brasília, bem como operários que estão edificando a futura Capital federal. O primeiro orador é o senhor Celso Lisboa, presidente da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, que fala em nome desta e do povo de sua cidade. Segue-se com a palavra o Governador de Goiás, senhor José Feliciano Ferreira, falando em nome dos demais governadores presentes: o senhor José Adjunto Filho, prefeito de Unaí; um homem do povo, de nacionalidade norte-americana, há muito radicado em Goiás; o deputado por Goiás, Rezende Monteiro, em nome do vice-presidente da República, João Goulart.
O sexto orador da reunião é o senhor Lúcio Meira, presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico. O Brasil – diz – estava vivendo uma hora auspiciosa, uma hora histórica. Com sua inflexível determinação, o Presidente Juscelino Kubitschek faz de Brasília o marco da conquista do Oeste e da Amazônia, para que o país deixe de ser o antigo arquipélago econômico e social.
Graças ao espírito audaz do Chefe do Governo, o Brasil afinal se encontra consigo mesmo, vê trafegar por belas estradas, pavimentadas com asfalto brasileiro, veículos brasileiros, queimando gasolina brasileira.
“Neste instante – acentua – a indústria automobilística nacional pode dizer: presente”.
E mais adiante:
“Aí estão os veículos brasileiros, prontos para o cumprimento de sua missão”.
Encerra sua oração transmitindo ao Presidente Kubitschek “a palavra de fé nos destinos da pátria, neste momento em que as caravanas chegam e o Brasil parte no rumo do futuro”.
Usa da palavra também, o Bispo D. José Pedro, traduzindo o júbilo de todo o povo brasileiro ante a concretização das metas governamentais.
“Precisamos acreditar num Brasil que se unisse em torno de empreendimentos como este – Brasília -, sonho que se tornou realidade. Aqui estou, para bendizer a pessoa de Vossa Excelência”.
E, a certa altura de sua oração:
“As injustiças, as calúnias e as incompreensões foram a moldura de todos os grandes homens que, no passado, trabalharam pela grandeza dos povos. Deus está com o Brasil, através de Vossa Excelência”.
Várias outras personalidades fazem uso da palavra, entre as quais o coronel Paulo René de Andrade, representando a cidade natal do Presidente da República, Diamantina; e o senhor Marcílio Viana.
O orador seguinte é o Governador do Amazonas, senhor Gilberto Mestrinho. Em tom entusiástico, ressalta as realizações do atual Governo, mencionando dentre elas Furnas e Três Marias. Os derrotistas e caluniadores – diz – fazem acusações ao Governo, mas este tem respondido a todas as calúnias com empreendimentos concretos: indústria automobilística, estradas que cortam o país de Norte a Sul, petróleo, conquistas de toda a sorte. Encerra suas palavras apresentando ao Presidente, pelo muito que tem sido realizado, os agradecimentos da Amazônia e do Estado do Amazonas.
Um operário, procedente da Paraíba, embora não estivesse inscrito entre os oradores, toma a palavra e, com expressões do mais alto entusiasmo, em nome de seus companheiros, saúda o Presidente Kubitschek.
Apesar da chuva que caia sobre Brasília, o povo não faltou com o seu aplauso ao desfile das colunas da Caravana de Integração Nacional, pelas principais ruas da cidade.
O presidente Juscelino Kubitschek num gesto que calou fundo no espírito de quantos integravam a grande parada cívica, compareceu em um minúsculo veículo “Romi-Isetta”, para mais uma vez cumprimentar os caravaneiros.
Encerrando a solenidade, fala o Presidente Juscelino Kubitschek.
Após seu discurso, o Presidente Juscelino Kubitschek diz algumas palavras, agradecendo as manifestações de todos os oradores e a colaboração que vem recebendo para a consecução das metas, por mais difíceis e exaustivas.
Em seguida, assina dois atos de significação nacional: um decreto conferindo condições de funcionamento, como porto livre, a Manaus, e outro conferindo o nome de Bernardo Sayão à rodovia Belém-Brasília.
O último a falar, antes do discurso de encerramento do Presidente Juscelino Kubitschek, é o senhor Antonio Carlos Cantão, em nome do Centro Acadêmico 11 de Agosto, de São Paulo; faz ele entrega ao Presidente Juscelino Kubitschek da seguinte mensagem em pergaminho, de autoria do poeta Guilherme de Almeida:
“Sobre o imenso mapa do Brasil desenha-se, neste instante, uma imensa cruz. Partindo, simultânea, dos quatro pontos-cardeais, quatro pontas de aço riscam a terra, atravessam lavras, selvas, praias, montes, vales, desertos e cidades, mirando um ponto de convergência. Aqui chegados, juntos, os quatro traços formam a desmedida cruz. É esta...como a do Cruzeiro do Sul, a das velas do Descobrimento e a do lenho da Primeira Missa, que, no céu, no mar e na terra, vem presidindo os destinos do Brasil, também esta será a benção. E porque é traçada pelas quatro colunas motomecanizadas da Caravana de Integração Nacional, será de Redenção.
Provindas – Norte, Sul, Leste e Oeste – avançaram, firmes, as quatro pontas de aço. É o Brasil que tem encontro marcado consigo mesmo em Brasília pelo Sinal da Santa Cruz”.
A imprensa noticia que o sucesso da marcha empreendida de Belém a Brasília foi de tal ordem que se animaram os seus comandantes a prosseguir viagem até o Rio, dando-a por encerrada na praça fronteira ao Palácio do Catete.

Bacia Amazônica – Durante sua estada em Brasília, o Presidente Juscelino Kubitschek recebe os governadores dos Estados e Territórios Federais da Bacia Amazônica. Nessa audiência, reúnem-se com o Presidente da República os governadores José de Mattos Carvalho, do Maranhão; José Feliciano Ferreira, de Goiás; Gilberto Mestrinho de Medeiros Raposo, do Amazonas, e que representa o Governador do Pará; José Ponce de Arruda, de Mato Grosso; Paulo Nunes Leal, de Rondônia; Helio Araújo, do Rio Branco; e Manoel Fontenelle de Castro, do Acre.
Os governadores da Amazônia externam ao Presidente da República o seu desejo de ver executado um vasto plano administrativo e econômico para promover o rápido desenvolvimento de toda a região com o aproveitamento de seus incalculáveis recursos, elevando, ao mesmo tempo, o nível de vida de seus habitantes.
Na ocasião, os governadores apresentam a seguinte moção ao Presidente da República:
“Os governadores dos Estados e Territórios que compõem a Região Amazônica, no momento que reúne, na futura Capital da República, os participantes da Caravana de Integração Nacional, expressam a sua mais viva solidariedade ao dinamismo da administração do senhor Waldir Bouhid, o qual, à frente da Superintendência do Plano de Valorização da Amazônia, corresponde à confiança que lhe depositou o Senhor Presidente Juscelino Kubitschek ao lhe colocar sobre os ombros a pesada tarefa de encaminhar o enriquecimento de tão importante faixa do território pátrio.
Ao assumir essa posição, propugna a Amazônia por um esquema administrativo que assegure a continuidade da obra iniciada pelo senhor Waldir Bouhid no sentido de impedir qualquer colapso no ritmo que se imprimiu ao desenvolvimento da região, cujo abandono vinha ganhando características de verdadeira calamidade nacional.”
Recebe essa moção as assinaturas de todos os governadores acima.
O Presidente Juscelino Kubitschek assegura aos Governadores que teria todo o empenho em ver executado o plano sugerido pelos Governadores da Amazônia, solicitando-lhes que apresentassem um conjunto de medidas concretas e as estudassem com o senhor Waldir Bouhid, superintendente do Plano de Valorização da Amazônia. Os Governadores externaram sua satisfação pela receptividade dispensada pelo Presidente da República às suas mais importantes reivindicações. Fica assentado que os Governadores irão brevemente ao Rio para levar ao exame do Presidente Juscelino Kubitschek as medidas mais importantes e mais urgentes para acelerar o progresso daquela vasta região brasileira.

03
Rede Ferroviária Federal – A partir da mudança da Capital Federal para o Planalto Central, a Rede Ferroviária Federal S/A manterá permanentemente em Brasília elementos da Diretoria Jurídica e Financeira, a fim de acompanharem os processos de interesse da empresa.
A medida decorre de proposta do diretor jurídico que, à vista da próxima mudança do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal de Recursos, aponta a necessidade de se organizar um escritório em Brasília com o encargo de representar a Rede.
Em agosto de 1959, a RFF iniciou entendimentos com a Novacap para a escolha do local destinado ao edifício em que irá funcionar em Brasília.
Sistema Escolar – Em portaria, o Ministro da Educação determina época especial para o corrente ano letivo nas escolas mantidas pelo Ministério da Educação e Cultura na cidade de Brasília, futura Capital brasileira. Pela citada portaria o ano letivo de 1960 será de 16 de maio a 23 de dezembro, com o período de 28 de agosto a 11 de setembro para as férias escolares. As provas parciais serão realizadas entre 22 e 27 de agosto e 12 e 23 de dezembro.
Rodovia Belo Horizonte-Brasília – A imprensa brasileira assinala que a grande rodovia que ligará o Rio de Janeiro a Brasília, num percurso de 1.200 quilômetros, já está com a sua pavimentação quase concluída e, consequentemente, oferecendo perfeitas condições de tráfego entre o Rio de Janeiro e o Planalto goiano.
Essa obra constituiu um dos pontos que mais despertaram a atenção dos integrantes da Coluna Leste da Caravana de Integração Nacional, que, juntamente com as Colunas Norte, proveniente de Belém do Pará; Oeste, oriunda de Cuiabá; e Coluna Sul, cujo trajeto teve inicio em Porto Alegre, participou ativamente dos festejos comemorativos do 4º aniversário da administração do Presidente Juscelino Kubitschek.
Durante os pernoites e, mesmo, nas rápidas paradas, os componentes da Coluna Leste da Caravana de Integração Nacional tiveram oportunidade de ouvir a opinião de vários prefeitos e de grande número de pessoas interessadas na vida e no progresso das comunidades, e todos tiveram palavras do mais franco elogio para o grande empreendimento.
Os prefeitos e habitantes das cidades de João Pinheiro, Felixlândia, Sete Lagoas, Lafaiete, Santos Dumont, Juiz de Fora, Barbacena, Três Marias e outros municípios de Minas e de Cristalina e Luziânia, em Goiás, foram unânimes em exaltar a obra e chegaram mesmo a considerá-la como um novo ponto de partida para a redenção econômica das respectivas comunas.
Dirigindo palavras de saudação aos caravaneiros, os prefeitos de Cristalina e Luziânia declaram ver na rodovia Belo Horizonte-Brasília um dos motivos de maior significação e importância para o barateamento do custo de vida.
Ministério da Saúde – A Agência Nacional divulga uma entrevista com o Doutor Mário Pinotti, Ministro da Saúde, a propósito da significação histórica de Brasília e sobre as providências de sua pasta no setor da assistência sanitária à futura Capital.
Colonização da Rodovia Belém-Brasília – Em Brasília, o Presidente Juscelino Kubitschek preside a uma reunião de Governadores dos Estados e Territórios da Bacia Amazônica, no Palácio da Alvorada, a fim de tratar da colonização das terras marginais da rodovia Bernardo Sayão.
A conferência, que conta com a presença dos Governadores do Amazonas, Maranhão, Rondônia, Rio Branco, Acre, do Superintendente do Plano de Valorização Econômica da Amazônia, do Arcebispo de Goiânia e de assessores presidenciais, tem como objetivo a obra de humanização e colonização das terras marginais do grande eixo rodoviário, agora aberto ao desenvolvimento do país. Em nome de todos os Bispos e prelados da região cortada pela rodovia, os sacerdotes presentes expressam seu desejo de colaboração e fazem apelo ao Presidente da República no sentido de serem adotada providencias imediatas para evitar a ocupação desordenada das terras devolutas e matas virgens. Em rápidas palavras, o Arcebispo de Goiânia informa o presidente sobre a luta titânica que o Bispo de Porto Nacional, Dom Alano, vem travando contra certos concessionários de terras devolutas, os quais, de posse de documentação falha, tentam espoliar os desbravadores das selvas e construtores da estrada, que ali estão se fixando. Apela Dom Fernando para a criação de um Grupo de Trabalho, a exemplo do que ocorre com a execução das tarefas resultantes dos históricos encontros de Campina Grande e de Natal. Desse grupo deverão participar representantes dos Governos da região, do Exército Nacional, do INIC, da Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia, do Serviço Social Rural, do Departamento Nacional da Produção Vegetal, da Legião Brasileira de Assistência e de outros órgãos cuja cooperação vier a ser considerada necessária para a execução dos planos traçados. Os Governadores presentes apóiam a sugestão de Dom Fernando, tendo o Presidente Juscelino Kubitschek recebido a iniciativa com o maior entusiasmo e ordenado as primeiras providências no sentido da concretização da mesma, de sorte a não retardar o início dos trabalhos práticos um só instante, a fim de que o mesmo se efetive antes mesmo da mudança da Capital federal para Brasília. O Presidente Juscelino Kubitschek dá ordem para que se providencie a reunião, nos próximos dias, no Palácio do Catete, dos Bispos da região ao longo do eixo rodoviário Belém-Brasília, bem como de representantes dos Governos dos Estados interessados, além dos demais órgãos citados, para coordenação dos esforços que vão ser exigidos pelo trabalho a ser apresentado com a maior brevidade.
Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional – Partem de Brasília para o Rio de Janeiro os integrantes da Coluna, que na primeira etapa atingem João Pinheiro, em Minas Gerais, onde pernoitam.

04
Deputado Emival Caiado – O deputado Emival Caiado, presidente do Bloco Parlamentar Mudancista, concede entrevista à Agencia Nacional, afirmando:
- A construção da nova Capital e a transferência dos Poderes da República são fatos consumados e não cabe, a esta altura, discutir se a mudança se fará, mas tratar-se de efetivá-la, uma vez que já existem condições para isso. Meu projeto de fixação da data decorreu, não de deliberação precipitada, mas de exame acurado e planificação minuciosa.
O que a Novacap, visando a alcançar as condições mínimas imprescindíveis para a mudança, estará realizado, sem dúvida alguma, a 21 de abril.
Esclarece o deputado Emival Caiado, ainda, que promoveu uma reunião do Bloco Parlamentar Mudancista para o estudo de questões ligadas à transferência, tendo o grupo, depois de amplos debates, deliberado oferecer total apoio às medidas assentadas pela mesa da Câmara para a mudança desta, procurando mesmo estimulá-la na intensificação dos trabalhos até 21 de abril.
- Com essa finalidade – acrescenta – a presidência do Bloco Parlamentar Mudancista pensa em acompanhar de perto as atividades dos diferentes setores encarregados da mudança, tendo sempre presente a necessidade de se dar a tal orientação um tratamento político de alto teor, condizente com o espírito patriótico da empresa.
Finaliza sua entrevista o deputado Emival Caiado declarando que, “para dissipar qualquer dúvida na opinião pública”, o Bloco Parlamentar Mudancista resolveu proclamar ao País que serão inúteis todas as impatrióticas tentativas de adiamento de transferência da Capital Federal para o Planalto Central.
Caravana de Integração Nacional – Em entrevista de imprensa, o Major Edson Perpétuo, coordenador da Caravana, manifesta sua satisfação pela precisão cronométrica com que foram executados os planos, lembrando que a Coluna Leste se atrasou em sua chegada à Brasília apensa sete minutos: prevista para às 12 h do dia 1º de fevereiro, sua entrada na nova Capital ocorreu às 12 h e 7 m.
Revela também que, por toda a parte recebeu a Coluna Leste homenagens, não só de autoridades como de pessoas do povo. Em Cristalândia, pequena cidade do interior de Goiás, por exemplo, a população, tendo à frente o prefeito, abriu as portas de suas residências aos integrantes da Caravana. Ali, lhe foi feita uma intimação, pelo prefeito: este desejava receber, oficialmente um relatório de toda a jornada, para ser incluído na história da localidade.
Revela finalmente o Major Edson Perpétuo que vai reunir esforços, novamente, desta feita para organizar a Caravana de Integração do Nordeste. Esta, constituída por uma coluna-monstro, deverá partir de Fortaleza e atingir Brasília.
Interessante depoimento é feito, também, pelo Coronel Aviador Lino Teixeira, que comandou a Coluna Norte, à qual coube realizar o percurso Belém-Brasília, através da Rodovia Bernardo Sayão. A viagem dessa coluna durou sete dias, incluindo a estada em Goiânia, onde foram prestadas grandes homenagens à caravana. O deslocamento se fez igualmente com absoluto êxito.
- Para que se avalie a excelente condição da Rodovia Bernardo Sayão – declara aquele militar – basta dizer-se que, durante toda a viagem, não ocorreu um só acidente com veículo. Nem mesmo um pneumático furado, o que é digno de nota. Um eloqüente atestado de ação governamental nestes quatro anos e um magnífico teste para a nossa indústria automobilística.
Encerrando seu depoimento, diz o Coronel Lino Teixeira que no domingo, dia 24 de janeiro, a meio percurso da Coluna Norte, foi celebrada Missa, pelo Bispo de Bragança, no local em que perdeu a vida o engenheiro Bernardo Sayão, um dos pioneiros da abertura da rodovia Belém-Brasília.
Abastecimento – Anuncia-se que, a fim de fazer face ao aumento de população que se verificará em Brasília com a transferência da Capital, estão sendo intensificados os trabalhos agrícolas que vem sendo levados a efeito pelo Ministério da Agricultura e pela Novacap, através de convênios, na área do futuro Distrito Federal, superior a 5 mil quilômetros quadrados.
Em sua recente visita a Brasília, o Ministro Mário Meneguetti examinou vários problemas e assentou providências para a sua solução, trocando idéias com o Sr. Israel Pinheiro e com os representantes do seu Ministério.
Desde logo, ficou decidida a imediata ampliação dos convênios, de forma a se emprestar maior vulto à produção vegetal e animal. Deverá ser construído pelo Ministério da Agricultura um conjunto de armazéns e silos no grande Centro de Abastecimento, onde vem a Novacap de autorizar a construção de um moinho de trigo, com a capacidade diária de 100 toneladas.
Dos entendimentos havidos, ficou assentada ainda a vinda de outros técnicos do Ministério da Agricultura para pesquisas agronômicas, e se acordou a entrega ao Ministério de uma área rural de 12 mil hectares para instalação de serviços técnicos.
Será em breve inaugurado o primeiro supermercado construído pela Novacap, enquanto se iniciam as obras do segundo e as de uma usina de pasteurização.
Fazenda-Escola – Uma Fazenda-Escola, cuja base é constituída pelo antigo Posto de Criação e Monta, que há mais de cinco anos é mantido pela Inspetoria de Fomento Animal de Goiânia, está em organização por técnicos do Ministério da Agricultura, para desenvolvimento da pecuária nesta região. A Fazenda-Escola ocupa uma área de 430 ha
a ser ampliada para 1.660 hectares e dista 26 quilômetros do perímetro urbano de Brasília, cabendo-lhe estimular as atividades até então a cargo do Posto, cuja eficiência deixava a desejar diante da falta de recursos, de pessoal e equipamento com que lutava.
Com a construção de Brasília, foi reconhecida a necessidade de desenvolver aqueles trabalhos pioneiros e, para esse fim, estabeleceu-se o Projeto 44 firmado pelo Ministério da Agricultura, Novacap e o ETA, cujo programa teve inicio em agosto de 1958. Mais de 23 milhões de cruzeiros e 12.500 dólares foram aplicados nos trabalhos de campo, de construções e de assistência aos criadores locais. A Fazenda-Escola possui 315 hectares preparados (destocados), dos quais 290 plantados. Conta com nove veículos, 5 tratores, e 13 reprodutores machos de raças européias e deverá receber brevemente 50 vacas para revenda. Dez prédios modestos foram construídos, inclusive um laboratório veterinário para inseminação artificial, inaugurado há dias. Um apiário, com 15 núcleos iniciais, está sendo formado. Também funcionará ali um Posto de Demonstração Avícola, mediante contrato com o Projeto ETA-42.
A Fazenda está preparada para atender a todos os pedidos de mudas e sementes de forrageiras para a formação de pastagens. O seu campo experimental possui mais de 100 variedades de forrageiras, oriundas das mais diferentes regiões do País. No ano passado forneceu aos interessados 120 mil mudas de capim Guatemala, 40 mil de aipim e 20 mil estacas de cana forrageiras, além de algumas dezenas de sacos de semente de capim gordura e de outras forrageiras, inclusive leguminosas, para multiplicação em granjas da Novacap e particulares. A sua patrulha mecanizada começou a funcionar em dezembro de já preparou mais de 100 hectares para formação de pastagens em propriedades de criadores locais. Pretende utilizar em larga escala a inseminação artificial e 30 filhos de reprodutores da Fazenda vem sendo criados em diversas propriedades para melhoramento dos rebanhos.
Coluna Norte da Caravana de Integração – A Coluna, no rumo do Rio de Janeiro, chega à capital mineira.

 

05
O.E.A – Acha-se em estudos, na Organização dos Estados Americanos, em Washington, o projeto para a construção, em Brasília, da sede de seus serviços no Brasil, sede ora situada no Rio de Janeiro.
Presidência da República – O Presidente Juscelino Kubitschek autoriza o levantamento do pessoal dos Gabinetes Militar e Civil para funcionamento na nova Capital, tendo em vista a próxima mudança da Secretaria da Presidência da República para Brasília.
Comunicações – O Presidente Juscelino Kubitschek assina decreto declarando de utilidade pública, para fins de desapropriação em caráter urgente, pelo Departamento de Correios e Telégrafos, de um terreno em Paulo de Frontin, Estado do Rio, com a área de 2.400 m2 para a instalação de uma das subestações do sistema de micro-onda entre o Rio de Janeiro e Brasília.
Governador Carvalho Pinto – O Presidente Juscelino Kubitschek recebe do Governador de São Paulo o seguinte telegrama:
“Lamentando a absoluta impossibilidade de comparecer, venho agradecer ao eminente Chefe da Nação o honroso convite com que me distinguiu para participar em Brasília da concentração promovida pela indústria automobilística nacional, ao ensejo do 4º aniversário do seu Governo. Já tive oportunidade, na passagem por São Paulo, da Caravana Sul, de dar-lhe o testemunho de meu apreço e caloroso apoio.
Venho agora congratular-me com Vossa Excelência e com a indústria automobilística pelo notável feito, exemplo da alta capacidade técnica dos veículos de fabricação nacional assim a serviço da causa da integração do vasto “hinterland” brasileiro, que notadamente caracteriza os patrióticos esforços do governo de Vossa Excelência, na luta contra o subdesenvolvimento”.

Ministério da Agricultura – O Ministro Mário Meneguetti reúne, em seu Gabinete, os diretores de Serviço e principais auxiliares para expor o seu plano de instalação, em Brasília, no menor tempo possível, do Ministério da Agricultura.
Inicialmente, o titular da pasta da produção mandara executar, pela Diretoria de Obras, o projeto da construção de armazéns e silos com capacidade para 12.000 toneladas, com um centro regulador dos produtos dos municípios satélites de Brasília.
Outra medida tomada é o fornecimento de pescado, que será distribuído de maneira que não falte esse alimento à população da nova Capital.
O Ministro da Agricultura terá, em Brasília, duas sedes: uma burocrática, outra rural, ou seja, “Ministério fora do asfalto, na zona rural”. Para esta sede já existe uma área estabelecida de 11.700 hectares de terra.
Núcleo Colonial do INIC – Localizado na região de Guariroba, dentro do Território Federal de Brasília, o Núcleo Colonial organizado pelo Instituto Nacional de Imigração e Colonização está em condições de tornar-se em futuro próximo um grande centro de abastecimento de gêneros de toda espécie à futura capital do país. Suas terras se estendem por 20 mil hectares, numa altitude média de 1.100 metros e, graças ao seu clima temperado-seco e ameno, e às condições naturais de irrigação, com mananciais permanentes, entre os quais sobressai o Rio das Pedras, poderão receber as mais variadas culturas e propiciar a formação de pastagens para a criação de gado.
Nada diz melhor da riqueza do solo do Núcleo Colonial de Brasília do que sua produção atual, variada e relativamente volumosa, abrangendo cereais, produtos horti-granjeiros, leite e frutas. Os principais produtos fornecidos pelo Núcleo à nova Capital são: café, fumo, cana de açúcar, arroz, milho, feijão, mandioca, batata, frutas diversas, leite e carne.
Esta produção tende a intensificar-se, pois o INIC já tem projetada a distribuição de novos lotes a colonos que desejarem lá se fixar. O projeto de distribuição compreende 20 mil hectares, assim divididos: 550 lotes rurais de 30 hectares, cada um e 500 lotes urbanos de 1.000m2. O INIC reservará uma área de 350 hectares para parques, jardins, campos de demonstração, etc e, para escoamento da produção, construirá estradas num total de 125 quilômetros.
Outros informes sobre o núcleo: temperatura média 19º; topografia ondulada. É servido por rodovias e aviões, estando distante do Rio de Janeiro 1.828 quilômetros via São Paulo e 1.868 quilômetros via Belo Horizonte. Por via aérea, o percurso é coberto em 3h e 20 m em aviões tipo “DC-3” e em 2h e 50m em “Convair”.
Caravana de Integração Nacional – A Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional que partiu de Belém do Pará para juntar-se às Colunas Sul, Leste e Oeste e que no dia 2 do corrente participaram das festividades comemorativas do 4º aniversário da administração do Presidente Juscelino Kubitschek, chega ao Rio precisamente às 16h e 30m, depois de realizar excelente viagem e sem que fosse registrado qualquer acidente.
A Coluna, conduzindo quase 200 pessoas, percorreu 3.400 quilômetros, sendo que 2.200 no trecho Belém-Brasília, rompendo a selva amazônica através da rodovia Bernardo Sayão. O restante do percurso, ou seja, de Brasília ao Rio de Janeiro, foi realizado através de estradas quase completamente pavimentadas e construídas em obediência aos princípios da mais moderna técnica rodoviária.
Precedida de um esquadrão dos Dragões da Independência e de batedores da Inspetoria de Trânsito, a Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional chega ao Palácio do Catete às 16 h e 35 m.
Da sacada do Palácio, o Presidente Juscelino Kubitschek, na ocasião, também acompanhado de suas duas filhas, aplaude e recepciona entusiàsticamente os integrantes da Coluna, que totaliza 65 veículos.
Após a parada da Coluna, com os veículos estacionados em fila dupla, usa da palavra o Coronel-Aviador Lino Teixeira, que rapidamente focaliza os principais aspectos da jornada. No decorrer de sua oração, o Senhor Waldir Bouhid enaltece a obra do Presidente Juscelino Kubitschek, exaltando o seu grande trabalho no sentido da completa união nacional, através da construção de estradas ligando todos os pontos do país, e finaliza seu discurso exaltando a memória de Bernardo Sayão, o pioneiro da grande obra, e de Ruy Almeida, ambos falecidos na luta pelo engrandecimento do Brasil.
A esse orador, segue-se com a palavra Dom Elizeu Carolli, Bispo de Bragança, Estado do Pará, que também participou ativamente da Coluna, realizando o trabalho de um verdadeiro guia espiritual. As palavras do Bispo de Bragança são constantemente interrompidas. Falando em nome do Presidente da República, e exaltando o grande feito, discursa Dom José Pedro, Bispo de Caetité, Bahia, que em Brasília, durante o grande churrasco, também saudara os componentes das quatro Colunas da Caravana de Integração Nacional. Durante o discurso, Dom José Pedro da Costa refere-se, com palavras repassadas de entusiasmo, à obra que o Presidente Juscelino Kubitschek está realizando, principalmente no que diz respeito à luta contra o subdesenvolvimento.
Grande manifestação de aplauso e simpatia recebe a Coluna durante sua passagem pela Avenida Rio Branco, quando o povo, postado à beira das calçadas, tributa ao caravaneiros as maiores manifestações de carinho, enquanto que das janelas e sacadas dos edifícios são atiradas sobre a Coluna verdadeiras chuvas de confetes, papéis picotados, flores e serpentinas. O mesmo entusiasmo popular é notado em frente ao Palácio do Governo e na Rua Silveira Martins.
Exposição presidencial – Através de uma cadeia de radioemisssoras e canais de televisão, o Presidente Juscelino Kubitschek, durante mais de duas horas e meia, realiza uma exposição sobre seu Governo, referindo-se também a Brasília, que chama de meta-síntese de sua administração.
Afirma que, se não fosse o fato em si da mudança da capital, algo de extraordinário deveria haver nesta obra para provocar as atenções gerais. Declara que Brasília contém um profundo sentido de cristalização filosófica do desenvolvimento; ela quer dizer que estamos saindo do litoral depois de 400 anos de lutas. Ela afirma que o gigante está voltado agora para o interior. Descrevendo aspectos urbanísticos da nova Capital, alude às opiniões de numerosas autoridades estrangeiras que nos visitaram, inclusive à do Ministro da Cultura de França, André Malraux, que classificou Brasília como a capital da esperança, dizendo:
“Se renascer a velha paixão das inscrições nos monumentos, gravar-se-á sobre os que aqui vão nascer: Audácia. Energia, Confiança. Não se trata de vossa divisa oficial, mas talvez da que vos dará a posteridade”.
Declara o Presidente ser profundamente doloroso que o Brasil em 1960 tenha dois terço de sua superfície como um deserto, mas que Brasília, o marco número um do desenvolvimento do Brasil, vai fazer a integração nacional como já o comprovaram as caravanas que acabam de realizar a ligação Norte-Sul, Leste-Oeste do país. Explica ainda que, dentro em breve, em lugar de vinte teremos vinte e uma estrelas, com o Estado da Guanabara em nossa bandeira.
O Presidente, em seguida, diz de sua satisfação de poder cumprir com a construção de Brasília um dos sonhos dos Inconfidentes mineiros até agora não realizado: o da interiorização da capital do Brasil.

06
Convênio Florestal – Um acordo de florestamento entre o Ministério da Agricultura e a Novacap está funcionando desde o segundo semestre de 1957, em um programa de trabalho amplo, destinado a promover estudos e efetivar serviços de florestamento, reflorestamento e demais atividades relacionadas com as silvicultura, na área do futuro Distrito Federal. Recursos são fornecidos por ambas as partes contratantes do convênio, sendo que a sede dos trabalhos é a antiga Fazenda do Bananal.
Foram distribuídas até agora para Brasília e cidade satélite de Taguatinga e Planaltina cerca de 10.000 mudas de essências florestais, entre elas casuarinas, flamboyant, pinus eliottii, pinus excelsa, cássias, araucárias, guapuruvu, tamboril, etc. O convênio dispõe atualmente de 600.000 mudas, sendo grande parte já embaladas.
No tocante à ornamentação, foi desenvolvida tarefa considerável, havendo, presentemente, cinco milhões de mudas de plantas ornamentais, como orquidáceas, bromeliáceas, gesneceáceas philodendrons, etc. Neste setor, além da ornamentação da cidade, tem cooperado na formação de jardins particulares.
Já foram distribuídas mais de 200.000 mudas ornamentais, estando semeadas mais de um milhão de sementes de essências florestais e ornamentais.

Rodovia Bernardo Sayão – Pelo Decreto no. 47.763, o Presidente Juscelino Kubitschek dá o nome de Bernardo Sayão à rodovia Belém-Brasília.
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Palmeiras imperiais – Para plantio na Praça dos Três Poderes, vão ser adquiridas mais 500 mudas de Palmeiras Imperiais, procedentes da cidade mineira de Mar de Espanha.
Logo que terminarem os ajardinamentos de outros locais, serão atacados os serviços naquela praça.
Embaixada do Japão – Encontram-se em Brasília membros da Embaixada do Japão, com a finalidade de tomar as primeiras providências para a instalação da representação de seu país na quadra a esse fim reservada. Os diplomatas visitantes são os Srs. Hisajiro Fujita, Conselheiro da Embaixada; Akaioshi Otaki, adido; e Tadashi Iwase, encarregado dos assuntos brasileiros no Ministério das Relações Exteriores do Japão.
Cinema – Antes de 21 de abril estará terminada a construção do Cine Unidade de Vizinhança, que se localiza entre os blocos de apartamentos do IAPI e do IAPETC e que começou a ser erguido em novembro do ano passado.
Com uma tela de 15 metros por 7, uma fachada de 54 metros e tendo 60 metros da entrada à tela, o primeiro cinema de Brasília terá capacidade para 1.500 espectadores, e disporá de ar refrigerado.
Nova pista do Aeroporto – Construída segundo os mais modernos requisitos técnicos, a nova pista do Aeroporto desta cidade terá uma extensão de 3.800 metros, permitindo o pouso dos grandes aviões a jacto, e seu custo está orçado em 600 milhões de cruzeiros.
IAPB – O Presidente da comissão encarregada da construção de edifícios para o Instituto dos Bancários revela que os segurados desse Instituto e os funcionários que para aqui vieram transferidos terão à sua disposição, por aluguéis módicos, 152 casas. Declarou ainda que, do total de 456 apartamentos de construção a cargo do IAPB, já foram entregues, até o momento, 321, sendo que os restantes estarão em mãos do Grupo de Trabalho até 21 de abril. Disse, por fim, que os imóveis construídos até agora não serão vendidos.
Ministério da Viação – Anuncia a imprensa que estiveram em visita à futura Capital os servidores do Ministério da Viação que constituem o primeiro escalão daquela Secretaria de Estado que terão exercício em Brasília.
Em demorada visita de fim de semana às acomodações familiares e demais dependências do Ministério da nova Capital, os servidores em causa regressam satisfeitos e entusiasmados com o que puderam ali observar.

09
Jornalistas internacionais – Visita Brasília uma caravana composta de mais de 80 jornalistas internacionais, entre eles o Sr. William Randolph Hearst Jr., proprietário de famosa cadeia de jornais norte-americanos.
Palácio dos Despachos – Acha-se em fase de acabamento, recebendo retoques finais, o Palácio dos Despachos, com entrega prevista para os próximos dias. Nesse Palácio já foi realizado o grande banquete de recepção aos integrantes da Caravana de Integração Nacional, que recentemente se reuniu em Brasília procedendo de todos os extremos do país.
Rodovia Bernardo Sayão – O senhor Alair Barros, Chefe de serviço da Rodobrás, diz à imprensa, em entrevista, que, sem o apoio da Aeronáutica, teria sido praticamente impossível a abertura da rodovia Belém-Brasília dentro do curto prazo em que se realizou a obra, acentuando:
“Foi, com efeito, notável o trabalho realizado pelos oficiais e funcionários do Ministério da Aeronáutica destacados para apoiar as frentes de serviço dos trabalhadores da Rodobrás. Abrindo campos de pouso na selva equatorial, transportando técnicos e trabalhadores mortos e feridos, gêneros alimentícios, medicamentos, levando e trazendo notícias, as aeronaves transformaram-s, durante todo o tempo da derrubada das matas e da abertura do traçado, no único elo de ligação entre a civilização e os que construíam a estrada.”
Com a criação do Departamento de Base Aérea de Brasília, em maio de 1958, foi possível organizar-se o plano de cobertura dos aviões da FAB aos trabalhadores encarregados do desmatamento. Naquela ocasião, chegava à futura Capital Federal o primeiro C-47, com cerca de vinte homens a bordo para manutenção e guarda das aeronaves que seriam colocadas á disposição do Destacamento. Não havia em Brasília acomodações apropriadas para o pessoal.
Militares e civis comiam precariamente, pois ainda não existia rancho. As primeiras clareiras na mata foram abertas sob a orientação do Ministério da Aeronáutica. A de Guamá, às margens do rio com idêntico nome e distante 140 quilômetros de Belém, serviu como ponto de referencia ás demais, que passaram a denominar-se Quilômetro 14, Quilômetro 163, Quilômetro 305, Quilômetro 402, etc., de Guamá.
À medida que as frentes de serviço penetravam na selva, as aeronaves da FAB despejavam os alimentos em pacotes ou em sacos, na clareira mais próxima. “Paulistinhas”, “Beechcrafts” e “Douglas” efetuavam arriscados vôos rasantes e a velocidade reduzida para cumprir essas missões. Raros foram os casos de perda de material, por erro de cálculo, apesar de os pilotos efetuarem as manobras “medindo as árvores de 60 metros”. Encerrada a fase de desmatamento e com o avanço das máquinas encarregadas de nivelar o terreno e de abrir o traçado, muitas das clareiras puderam ser transformadas em pista de pouso, sob a orientação ainda dos técnicos da Aeronáutica. Hoje contam-se 18 pistas de pouso ao longo da Rodovia Belém-Brasília, com uma extensão que varia de 800 a 1.300 metros cada
Para continuar apoiando a construção da BR-14, o Destacamento de Base Aérea de Brasília dispõe agora de 3 aviões C-47. 2 helicópteros e alguns aviões de pequeno porte.”
Mais 4 aviões de treinamento a jacto, do tipo T-33 chegarão ao nosso país brevemente e serão destinados ao Curso de Caça, que funciona em Fortaleza. Esses aparelhos serão transportados para o Brasil em vôo.

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Catedral – Divulga-se que a iniciativa privada, representada pela maioria das empresas construtora que trabalham em Brasília, colaborará para o erguimento da catedral planejada por Oscar Niemeyer. A catedral, que ficará localizada na Praça dos Três Poderes, já tem sua construção iniciada, com o anel de base concluído, em formato circular.
Agora, as colunas começam a surgir e toda a população verifica que mais esta gigantesca obra, que abrigará os católicos da nova capital em suas maiores festas, terá sua construção finalizada em breve. Até agora foram reunidos para o levantamento do templo quatorze milhões e seiscentos mil cruzeiros, como colaboração de cerca de cinqüenta empresas construtoras e bancárias que operam aqui.
Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional – Às 9 horas, parte do Rio de Janeiro, com destino a Porto Alegre, a Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional. Batedores da Guarda Civil escoltam a caravana até à barreira da Rodovia Presidente Dutra.
Compõem a caravana trinta e sete veículos de fabricação nacional e mais de duzentas pessoas, entre autoridades civis e militares, jornalistas, cinegrafistas e fotógrafos. Na cidade de São José dos Campos, a ela se incorporarão mais cinco carros, também de fabricação nacional.
A Coluna Norte percorrerá todas as cidades que margeiam a rodovia Rio-São Paulo. De São Paulo rumará a Registro-Curitiba, Rio Negro-Lajes-Vacaria-Caxias do Sul, e finalmente, Porto Alegre, aonde deverá chegar na próxima segunda-feira.
Visita do Presidente Eisenhower – O Departamento de Estado dos Estados Unidos da América cede ao Governo brasileiro, por empréstimo, o equipamento de transmissão radiotelefônico que colocará Brasília em comunicação com o resto do mundo durante a próxima visita do Presidente Eisenhower.
O equipamento destina-se a 18 canais de radiotransmissão e pesa, ao todo, 25 mil libras, ou seja, de 10 toneladas, devendo seguir para Brasília logo após seu desembarque.
Com essa iniciativa do Itamarati os correspondentes estrangeiros que acompanharam o Chefe da Nação americana à futura Capital do Brasil terão sua missão facilitada.
Organização Judiciária – O Presidente Juscelino Kubitschek envia ao Congresso Nacional, acompanhado de mensagem, o projeto de lei que dispõe sobre a Organização Judiciária do Distrito Federal de Brasília.
Lei Orgânica de Brasília – O Presidente Juscelino Kubitschek envia ao Congresso Nacional, acompanhado de mensagem, o projeto de Lei Orgânica do Distrito Federal de Brasília.
Hospital de Brasília – O Presidente Juscelino Kubitschek aprova o plano de aplicação proposto pelo Ministério da Saúde, referente à dotação de duzentos milhões de cruzeiros, para prosseguimento das obras do Hospital Distrital de Brasília.

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Ministério da Agricultura – Em entrevista de imprensa, o senhor José Vieira, Chefe do Serviço de Informação Agrícola do Ministério da Agricultura afirma que os setores afetos ao Ministério da Agricultura, na área da futura Capital Federal, vem sendo cuidados com a atenção exigida pela sua importância em face do crescente desenvolvimento demográfico da região. O empenho com que estão sendo realizados os serviços de fomento da produção vegetal e animal, bem como os trabalhos florestais, são de molde a assegurar perspectivas as mais animadoras, quanto a esse ãngulo, para aqueles que se vão radicar em Brasília.
- Tais serviços de fomento – acrescenta o sr. José Vieira – estão entregues a técnicos competentes e vem tendo todo apoio do Ministro Meneguetti. Realizados em regime de convênios com a Novacap, estão obtendo bons resultados, a despeito das dificuldades encontradas. Em minha visita a Brasília, pude apreciar os trabalhos diretos que a Novacap está levando a cabo no setor agrícola e que representam uma apreciável colaboração em beneficio da cidade.
Prossegue o diretor do S.I.A. informando que o convênio firmado entre o Ministério, a Novacap e o E.T.A. (Projeto 34), posto em execução em 1957, propiciou a inversão de cerca de trinta e dois milhões de cruzeiros e a aquisição de equipamentos no exterior, interessando sua aplicação a uma área de 1,892 hectares. Nessa área, que já dispõe de 43 quilômetros de estradas internas, estão sendo usados recursos para restauração e conservação do solo, bem como para terraceamento. Possui ela, agora, 300 hectares cultivados, nos quais foi aplicado o método de cultura seca e produção de cobertura vegetal, cujas finalidades são diminuir a evaporação e adubar a terra.
Passando a aludir às possibilidades agrícolas da região da futura Capital, revela o Sr. José Vieira:
- Aplicada a técnica agronômica em 4.200 m2 daquela área do Ministério da Agricultura, foi obtido no ano passado, com a plantação de 19 variedades hortícolas, um lucro de quase 160 mil cruzeiros. Ali se obteve também milho, feijão, melancia, mandioca, amendoim, bem como se conseguiu excelente resultado com a criação de aves. Existem ali duas represas em funcionamento, 5.230 matrizes frutícolas, 35 mil pés de abacaxis em produção e grande plantio de batata-doce.
Por sua vez, o Projeto-44, que reúne atividade do Ministério, do ETA e da Novacap, está alcançando bons resultados no que diz respeito á produção animal.
Numa fazenda de 1.660 hectares, estão sendo executados trabalhos proveitosos, desde 1958. Nessa fazenda, que se situa a 26 quilômetros de Brasília, foram preparados 315 hectares, dos quais 290 já se acham plantados. Mais de 100 variedades de forrageiras são cultivados em seu campo experimental, tendo sido distribuídas aos criadores locais, até hoje, mais de 120 mil mudas de capim guatemala, 40 mil de aipim, 20 mil estacas de cana forrageira, dezenas de sacos de sementes de capim gordura e outros. Este ano, poderão ser atendidos todos os pedidos das granjas oficiais e particulares de Brasília, para a formação de pastagens.
Com relação aos trabalhos florestais, estão se processando segundo os planos. Para esse fim, através de acordo com a Novacap, dispõem os responsáveis por sua execução de 600 mil mudas de árvores e 5 milhões de unidades para ajardinamento. Mais de 10 mil mudas de essências florestais e mais de 200 mil mudas ornamentais foram entregues à Novacap para arborização da cidade.
Rodovia Bernardo Sayão – Entre os serviços que a rodovia Bernardo Sayão prestará à economia do Planalto Central, a partir de pouco tempo, está o do transporte do sal, que terá o percurso de chegada a Brasília diminuído de dois mil quinhentos e vinte e oito quilômetros, bastando para tanto que seja efetivado o entrosamento desta grande estrada com a rede rodoviária nordestina. Esta afirmação está contida em um estudo escrito pelo presidente do Instituto Brasileiro do Sal, senhor Dioclécio Duarte, e enviado ao Conselho de Desenvolvimento do Nordeste, agora encampado pela Sudene. O que se torna necessário – afirma aquela autoridade federal, na tese – é que se encontre uma fórmula de intercâmbio comercial que garanta uma troca constante, de modo a assegurar equilíbrio econômico para as empresas que se dispuserem a transportar o sal para o Planalto.
O comércio de sal para o Centro do País,com a volta dos veículos transportando, por exemplo, o charque goiano, que é de ótima qualidade, seria um dos meios concretos para a solução do problema.
Estas considerações de ordem econômica foram dadas ao CODENO tendo em vista a proximidade da transferência da capital para Brasília e a necessidade de cuidar-se de assunto de grande importância, dada a necessidade do sal para o consumo de uma grande população que se fixará no Planalto Central, bem como para os rebanhos que ali se encontram e diversos tipos de indústrias que se estabelecerão na mesma região, precisando de grandes quantidades do produto.
A mudança da sede do Governo para o centro geográfico do país motivou novos estudos por parte da direção do Instituto Brasileiro de Sal, através de seu presidente e de seus vários técnicos. A diminuição do percurso de mais de dois mil e quinhentos quilômetros, significará possibilidades de barateamento do produto, tendo em vista os fretes menores. As ligações terrestres para a rodovia Belém-Brasília estabelecerão os novos rumos para os transportes de sal nesta região brasileira que agora se lança como sede do desenvolvimento do Brasil.
Hospedagem de visitantes – A cidade de Goiânia, Capital do Estado de Goiás, já iniciou os preparativos para recepcionar ilustres visitantes que para ali acorrerão em virtude da transferência da capital no próximo mês de abril.
Sua administração municipal, chefiada pelo prefeito Jayme Câmara, realizará um original programa de hospedagem das personalidades, principalmente mestres estrangeiros e autoridades de vários Estados, nas vésperas da mudança. Nesse sentido, uma comissão especial, denominada de “cooperação”, com cinco membros, já está articulando seus primeiros movimentos, de modo a ter um completo levantamento das possibilidades de hospedagem destes visitantes em residências de família da capital goiana. O começo da atividade está se mostrando dos mais promissores, dada a tradicional cortesia da gente da Goiânia e seu espírito de colaboração a todas as iniciativas que visem o bem comum e a propiciar aos que desejam ver Brasília momentos de satisfação em contato com o povo do Planalto Central, através de seus costumes.
Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional – Em sua marcha para Porto Alegre, a Coluna alcança a cidade de São Paulo.

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Confederação Nacional do Comércio – O senhor Charles Edgard Moritz, Presidente da Confederação Nacional do Comércio, determina a constituição, nessa entidade, de um grupo de ligação com Brasília, para prestar informações ao comércio sobre os assuntos de seu interesse relacionados com a Nova Capital. Entre vários problemas que preocupam o comércio, incluem-se a questão dos tributos que incidirão sobre as casas comerciais de Brasília, procedimento para obter alvará de localização, prescrições estabelecidas para a instalação de cada tipo de casa comercial, distribuição do comércio por zonas específicas, regime de propriedade dos bens imóveis, etc. Esse grupo de ligação será o núcleo da CNC e entrará em estreito contato com a administração do Município Federal para com ela colaborar no que respeita a assuntos de interesse do comercio em Brasília. Coordenará, ainda, a transferência do funcionalismo da CNC para a nova Capital, providenciando o necessário para a instalação dos servidores.

Instituto Brasileiro do Sal – Entre as sugestões apresentadas pelo senhor Dioclécio Duarte, Presidente do Instituto Brasileiro do Sal, ao Conselho de Desenvolvimento do Nordeste, com relação ao aproveitamento da madeiras da Amazônia para o fabrico de celulose, produto que hoje constitui assunto de interesse econômico em todo o mundo, figura a parte relacionada com a utilização do sal no Planalto Central.
Em sua tese. O Sr. Dioclécio Duarte afirma que existe uma verdadeira fome de celulose, agora, quando várias fontes demonstram nítidos sintomas de exaustão. Como exemplo de produtividade das nossas madeiras, cita o presidente do IBS o caso do nosso pinheiro, que ultrapassa o diâmetro de quarenta centímetros em apenas oito anos, enquanto árvores do mesmo produto, na Rússia, levam quarenta anos para chegar ao diâmetro de trinta centímetros.
É lógico que o Brasil deverá preparar-se para ingressar, dentro de pouco tempo, no mercado internacional da celulose. Neste ponto é que surge o interesse do Instituto Brasileiro do Sal, dado que cada tonelada de celulose exige seiscentos e sessenta quilos de sal, que serão fornecidos pela nossa indústria, propiciando-lhe um novo horizonte no terreno financeiro, de modo a oferecer-lhe perspectivas novas quanto ao aprimoramento das técnicas científicas até agora aplicadas na obtenção do produto. Esta inovação viria trazer um novo elemento que já é motivo de estudo para os nossos técnicos: o preço, que baixará na certa com o aumento da produtividade à base de salinas mecanizadas e do uso de novos tipos de transportes, principalmente o rodoviário, surgindo como ponto capital a rodovia Belém-Brasília. Somente esta estrada será capaz, com seu itinerário, de diminuir o tempo e a distância do transporte do sal em mais de dois mil e quinhentos quilômetros, possibilitando às empresas a cobrança de tarifas menores.
Ajardinamento de Brasília – A imprensa assinala que Brasília será como que um grande jardim em abril vindouro, pouco antes da mudança da sede do Governo Federal, graças ao andamento das obras neste sentido encetadas pelo Departamento Geral de Agricultura da Novacap. Os trabalhos estão sendo intensificados de modo a colocar todos os trevos, passagens de nível e viadutos completamente arborizados, o mesmo sucedendo nas encostas dos aterros das pistas já asfaltadas de várias vias de comunicação da nova Capital brasileira. Um verdadeiro batalhão de trabalhadores especializados nas tarefas de ajardinamento se ocupa, nos últimos dias, nesta tarefa que dará a esta cidade um aspecto mais interessante ainda, graças à simplicidade do traçado e à originalidade da arquitetura de Niemeyer. Para a feitura deste trabalho um ponto curioso deve ser assinalado: os técnicos estão procurando aproveitar ao máximo as árvores e plantas típicas de Planalto para o adorno da cidade.
Todas as árvores de conformação exótica, que possam constituir, a partir da mudança da Capital, atrativos turísticos, serão conservadas e terão indicações especiais. Troncos grossos assemelhando-se na forma a animais e galhos retorcidos ficarão intatos, de acordo com o estabelecido no trabalho de ajardinamento da cidade.

Caravana de Integração Nacional – A coluna Norte, em sua rota para Porto Alegre, atinge a cidade de Capão Bonito, onde pernoita.

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Caravana de Integração Nacional – A coluna Norte atinge a cidade de Curitiba, onde pernoita, após novo dia de viagem sem incidente, em perfeita ordem.
Arborização de Brasília – No Rio de Janeiro, visita o Ministério da Agricultura o senhor Vicente Ferrer Correia Lima, supervisor dos serviços agrícolas da Novacap, que informa à imprensa que, em Brasília, os serviços de arborização foram intensificados e que já se acham plantadas 18 mil mudas de essências, esperando-se que 32 mil já estejam plantadas até abril próximo. Esses plantios foram realizados na parte fronteira e no pátio interno do Palácio da Alvorada, nas áreas junto ao Hotel e anexas às escolas primárias, nas adjacências dos três trevos rodoviários e das passagens de nível. Foram usadas, principalmente, paineiras, mangabas, e cássias, havendo, em número menor, ‘flamboyants’, guapuruvas, etc.
Dez mil dessas mudas foram fornecidas pelo Ministério da Agricultura, através de Acordo Florestal com a Novacap e pelo Horto Florestal de Silvânia, sendo as demais ofertadas pelo Estado de Goiás e pela Prefeitura, das quais cerca de 200 na Praça dos Três Poderes.
Além das atividades, algumas centenas de hectares de tapetes verdes já foram plantados, em numerosos pontos de Brasília, principalmente nas áreas residenciais, junto aos Ministérios e na Praça dos Três Poderes, sendo empregadas em grande escala, as gramíneas “batatais e seda” (capim de burro do Nordeste).
Atividades escolares – No Rio de Janeiro, a Diretoria do Ensino Secundário, do Ministério da Educação e Cultura, comunica aos interessados que as aulas dos estabelecimentos de ensino secundário mantidos por particulares, em Brasília, começarão normalmente em março.
Apenas o Centro de Educação Média e o Centro de Educação Complementar obedecerão ao que determina a Portaria Ministerial no. 36, de 29 de janeiro de 1960, cujos termos são os seguintes:
“Fixa, para o corrente ano, a época especial para inicio e término do ano letivo e prestação de provas nas escolas mantidas pelo Ministério da Educação e Cultura em Brasília.
O Ministro de Estado da Educação e Cultura, de acordo com o que lhe faculta o disposto na Lei no. 57, de 6 de agosto de 1947, tendo em vista a mudança da Capital da República para Brasília no dia 21 de abril de 1960, e, em caráter excepcional, resolve:

Art. 1º - Fixar, para o corrente ano, em 16 de maio e 23 de dezembro, respectivamente, as datas para o inicio e o término das aulas nas escolas do Centro de Educação Média e do Centro de Educação Complementar de Brasília.
Art.2º - Será de férias escolares o período compreendido entre 28 de agosto e 11 de setembro.
Art.3º - As provas parciais e finais realizar-se-ão nos períodos de 22 a 27 de agosto e de 12 a 23 de dezembro”.

Lago de Brasília – Verificação realizada pelo Serviço Hidráulico da Novacap apura haver o lago artificial atingido a quota de 990,04 metros de água acima do nível do mar, faltando apenas 10 metros, portanto, para ser atingida a quota máxima, que é de mil metros. A 21 de abril próximo estarão faltando apenas 5 metros.
Supermercado – Divulga-se que até o fim de fevereiro deverão estar concluídas as obras do Supermercado “Unidade de Vizinhança” do Plano Piloto. A construção encontra-se em fase de pintura, presentemente sendo preparadas as instalações das câmaras frigoríficas e o ajustamento de esquadrias. O Supermercado terá duas câmaras frigoríficas e seu salão útil compreenderá uma área de 810 metros quadrados.
Rodovia de Goiás – O Engenheiro Abel de Carvalho, diretor-geral do D.E.R., de Goiás, declara à imprensa considerar simplesmente extraordinário o impulso que a rodovia Belém-Brasília deu ao desenvolvimento rodoviário goiano, tornando realidade o sonho das populações do “hinterland” do Estado: obtenção de meio de acesso a outras regiões do País. Através do D.E.R. o Governo de Goiás promove a ligação à estrada Belém-Brasília de pelo menos 16 municípios, a saber: Peixe, São Miguel do Araguaia, Porto Nacional, Cristalândia, Pium, Miracema, Tocantínia, Tupirama, Pedro Afonso, Filafélfia, Babaçulândia, Xambicá, Tocantinópolis, Nazaré e Araguatina. Algumas dessas ligações estão quase concluídas e é certo que todas estarão, ainda no corrente ano, abertas ao tráfego. Ressaltando a importância da Rodovia Bernardo Sayão, para o progresso econômico do Estado, diz por fim, o diretor do D.E.R. de Goiás, que essa estrada serve a 55 municípios goianos.
Televisão – A imprensa divulga que, por ocasião da mudança da Capital, Brasília terá sua primeira TV. Os trabalhos de fundação da base para a torre de televisão, que se localizará no Eixo Monumental, nas proximidades da estação rodoviária, já foram iniciados. A torre terá 275 metros de altura, incluídos nesse total os 70 metros da plataforma de concreto que sustentará a parte metálica.

Escola-Parque – Divulga-se a conclusão da construção da Escola-Parque destinada aos filhos dos residentes da Fundação da Casa Popular. De acordo com os planos estabelecidos, cada Unidade de Vizinhança terá um estabelecimento no gênero, ou seja, uma Escola-Parque, cuja finalidade é complementar as atividades das Escolas-Classes, cuidando do desenvolvimento artístico, físico e recreativo das crianças. A Escola-Parque dispõe de pavilhão de artes industriais, conjunto de atividades sociais (música, dança, teatro, exposição e clube), instalações para a prática de educação física, refeitório e administração. Em seu conjunto de edifícios, a Escola-Parque atenderá a dois mil alunos, divididos em dois turnos.
Senado Federal – Conclui-se nesta data o revestimento da cúpula do edifício do Senado Federal, feito à base de cimento branco, empregando-se processo especial, de quatro mãos de massa e acabamento a pistola de pressão, sendo gastos 4 quilos de massa em cada metro quadrado. A área da cúpula do Senado é de 1.500 quadrados e a da Câmara de 6 mil metros quadrados.


Foto: Carol Boclin

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Caravana de Integração Nacional – A Coluna Norte, partindo de Curitiba, rumo a Porto Alegre, alcança a cidade de Vacaria, onde pernoita.

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Caravana de Integração Nacional – Partindo de Vacaria, a Coluna Norte da Caravana alcança o ponto final de sua jornada, Porto Alegre, completando, assim, a ligação terrestre entre a capital gaúcha e Belém do Pará, via Brasília, num percurso total de mais de cinco mil quilômetros, assim divididos: de Belém a Brasília, pela rodovia Bernardo Sayão, 2.250 quilômetros; de Brasília ao Rio de Janeiro, 1.200 quilômetros; do Rio de Janeiro a São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, mais de 1.600 quilômetros. Os veículos brasileiros utilizados pela Coluna Norte, e que chegam a Porto Alegre às 17h e 30m, são em número de sessenta.
Hospital Distrital – Os jornais anunciam que, em 21 de abril de 1960, Brasília poderá contar com todos os serviços em pleno funcionamento, do seu Hospital Distrital, que se ergue entre a Praça dos Três Poderes e a Asa Norte, na zona hospitalar do Plano-Piloto. Formado por cinco blocos, o Hospital Distrital será dotado de todos os mais modernos requisitos para o perfeito cumprimento de sua finalidade.
Seus cinco blocos ocuparão uma área de 32 mil metros quadrados. O bloco A terá 12 pavimentos, com 80 metros de frente por 16 de largura; o bloco B compreenderá: enfermaria, isolamento, administração, pronto-socorro, centro cirúrgico e ambulatório; o bloco C será o dos consultórios médicos; o D se destinará aos serviços mecânicos (tratamento d’água, caldeira, instalações de vapor, estação de força de emergência): finalmente, no bloco E se localizará a rotunda, ou seja uma estação de tratamento de gases. À exceção do primeiro, todos os blocos terão apenas um pavimento.
As dependências do ambulatório, do pronto-socorro e do centro cirúrgico serão dotadas de ar refrigerado. Entre outros modernos equipamentos, o Hospital Distrital de Brasília terá: central de oxigênio, com tomadas em todas as enfermarias; controle de pressão automático, comutado com a central telefônica urbana; correio pneumático; central de filtragem de água e central de fornecimento de vapor, para esterilização de instrumentos.
Congresso Nacional – No plano de construção dos edifícios do Congresso Nacional em Brasília, imprime-se ritmo mais acelerado às unidades para o Senado e a Câmara. Dentro em poucos dias poderá iniciar-se o ajardinamento do local.
Lago de Brasília – Em Brasília, desperta grande interesse a chegada de cinco lanchas, que serão postas à venda por uma firma estabelecida no Núcleo Bandeirante. Com essas lanchas, que vieram por via aérea e que, certamente, em pouco, estarão sendo utilizadas no Lago Artificial, chegaram vários tipos de materiais náuticos, como esquis, salva-vidas, âncoras, bóias e motores especiais para a tração de esquis. A propósito, mencione-se que se encontra em organização o Iate Clube de Brasília.
Parque Desportivo – Iniciam-se as obras de construção e preparo de um parque desportivo para os habitantes da Asa Sul do Plano Piloto, no Eixo Rodoviário, parque completo, com piscina para crianças e play-ground.
Governador do Amazonas – O Presidente Juscelino Kubitschek recebe do Senhor Gilberto Mestrinho, Governador do Estado do Amazonas, o seguinte telegrama:
“Ainda sob a impressão maravilhosa que me deixou esse monumento arquitetônico gigantesco que é Brasília, fruto do governo ciclópico e grandemente patriótico de Vossa Excelência, quero expressar-lhe o meu profundo agradecimento, não só pelo magnífico tratamento que houve por bem dispensar-me e aos demais membros da minha comitiva, como também pelo carinho com que foram solucionados vários problemas de vulto desta unidade federativa, permitindo desse modo que o Amazonas possa ressurgir do ocaso em que durante muito tempo esteve mergulhado, para resplandecer em progresso entre os mais futurosos pedaços da grande Nação brasileira.
Transmitindo a Vossa Excelência, como amazonense e como dirigente deste Estado, a imensa gratidão do povo de minha terra, sinto-me honrado em mais uma vez assegurar-lhe a minha admiração, meu respeito e mui elevada consideração.”

Rodovia Belo Horizonte-Brasília – A imprensa divulga que já se encontram concluídas e em condições de utilização todas as obras de arte da rodovia Belo Horizonte-Brasília.
O serviço foi dado como terminado com a conclusão dos serviços de construção da ponte sobre o rio São Francisco, com 360 metros de comprimento, no valor total de
Cr$ 80.377.591,40. A sua entrega ao tráfego poderá ser feita a partir do próximo dia 20.

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Urbanização – Acelera-se o ritmo de trabalho nas ruas e avenidas de Brasília, empregando-se, no preparo dos leitos, em cada boca dos trevos, três máquinas, 24 horas por dia.
Taguatinga – Com os restos de madeira empregada na construção de edifícios públicos, foram construídas em Taguatinga, cidade-satélite, 100 casas para os habitantes da Vila Amauri que tiveram suas residências tomadas pelas águas do Lago Artificial. O trabalho está sendo executado pela Novacap e tem a inspirá-lo a preocupação de oferecer aos trabalhadores e suas famílias condições humanas de habitação, com todos os requisitos de conforto e higiene.
DASP – A Novacap divulga que o bloco do conjunto dos Ministérios destinados ao Departamento Administrativo do Serviço Público e ao Tribunal de Contas da União já está concluído e com várias seções mobiliadas e vem funcionando com todos os seus sete elevadores. Em condições quase idênticas se acham mais cinco blocos ministeriais, faltando a estes, para a conclusão definitiva, pequenos serviços de acabamento.
Reunião ministerial – Reúnem-se, no Palácio do Catete, o Ministro da Justiça, o Chefe do Gabinete Civil da Presidência da República, o Deputado Abelardo Jurema, líder da Maioria, o Deputado Neiva Moreira, Segundo Secretário, o Sr. Guilherme Aragão, Diretor-geral do D.A.S.P., o Coronel Celso Neves e o Senhor Felinto Epitácio Maia, Secretário do Grupo de Trabalho incumbido da mudança da Capital para Brasília. São, na ocasião, examinadas as providências complementares da alçada do Executivo e referentes à mudança da Câmara dos Deputados para Brasília. O Deputado Neiva Moreira fez uma exposição completa das necessidades dos congressistas, bem como do corpo de funcionários face à mudança para a nova Capital.
O Coronel Celso Neves informa aos participantes da reunião que os plenários do Senado Federal e da Câmara dos Deputados serão dotados de aparelhos de refrigeração.
Todo o equipamento necessário já encontra em Brasília a fim ser devidamente instalado. Fica resolvido que o Deputado Neiva Moreira permanecerá em constante contato com o Chefe do Gabinete Civil e com os competentes órgãos do Executivo a fim de resolver todos os problemas de que depende a transferência dos Deputados e de suas famílias.

Presidência da Republica – O Chefe do Gabinete Civil da Presidência da República designa uma Comissão constituída dos servidores Alsirio Palermo, Raul Iguaguara de Miranda, Sizenando Matos Bourguignon Júnior, Otávio de Oliveira Guedes e Darcília de Freitas Mendes para, sob a presidência do primeiro, apresentar, no prazo de trinta dias, o levantamento do acervo e equipamentos do Gabinete Civil da Presidência da República a serem transferidos para Brasília.
Banco Interamericano – A imprensa divulga que o Banco Interamericano, reunido em Assembléia na cidade de San Salvador, capital da República de El Salvador, decidiu realizar sua próxima Assembléia em Brasília, por votação unânime de seus participantes.
Bloco Parlamentar Mudancista – O Bloco divulga o seguinte comunicado:
 “O Bloco Parlamentar Mudancista, integrado por 230 Deputados de todos os partidos, ontem reunido no salão nobre da Câmara Federal, resolveu tomar as seguintes deliberações:
 1)     Envidar todos os esforços para a rápida tramitação dos Estatutos do novo Distrito Federal e do Estado da Guanabara;
2)     Reafirmar que Brasília possui todas as condições de habitabilidade previstas para o seu funcionamento no dia 21 de abril próximo;
3)     Reiterar a disposição de não concordar com a instalação de comissões de inquérito sobre a construção de Brasília até que se efetive a mudança da Capital.”

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Caravana de Integração Nacional – O Coronel-Aviador Lino Romualdo Teixeira, sub-chefe do Gabinete Militar da Presidência da República e o Senhor Waldir Bouhid, Superintendente do Plano de Valorização Econômica da Amazônia, que chefiaram a Coluna Norte, da Caravana de Integração Nacional, enviam ao Presidente Juscelino Kubitschek de Porto Alegre, o seguinte telegrama:
 “Comunicamos ao eminente Presidente que a Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional acaba de completar a última etapa de sua vitoriosa caminhada. Partindo de Belém e tendo como objetivo inicial atingir Brasília, a Coluna, após memorável encontro com V. Excia, na nova Capital, prosseguiu viagem até o Rio de Janeiro, estendendo-a ao Rio Grande do Sul, a cuja capital chegou às 18 horas de ontem, depois de cruzar os Estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. A Coluna Norte, com esta travessia histórica, realizou uma viagem de verdadeira integração nacional, percorrendo todo o Brasil, de Norte a Sul, em rodovias construídas por engenheiros e trabalhadores brasileiros, numa extensão de mais de cinco mil quilômetros, em veículos de fabricação nacional, concretizando duas metas importantes do seu dinâmico e patriótico Governo – a rodoviária e a automobilística. A Coluna Norte da Caravana foi recebida em Porto Alegre pelo governador Leonel Brizola e pelo prefeito Loureiro da Silva, nos palácios do Governo e da Prefeitura, sendo saudada por ambos, que ressaltaram a obra governamental de Vossa Excelência e a sua grande repercussão econômica e social, em todo o país. O povo gaúcho encheu as ruas e avenidas que constavam do trajeto da caravana em Porto Alegre e aclamou, com vibração e entusiasmo, o nome do Presidente que promoveu a unificação física do Brasil, através do seu programa de governo.”
Reunião ministerial – A fim de tratar da mudança do Governo para Brasília realiza-se, pela manhã, no Palácio do Catete, uma reunião entre os Ministros de Estado, os chefes dos Gabinetes Militar e Civil da Presidência da República, o Presidente do Banco do Brasil, o Diretor Geral do DASP e o secretário do Grupo de Trabalho para a mudança da Capital para Brasília.
No decorrer da reunião, as autoridades demonstram perfeita coesão e identidade de pontos de vista no que diz respeito à mudança da Capital para Brasília na data legalmente fixada, estando todos os Ministérios em condições de se instalarem na nova Capital, no próximo dia 21 de abril, sem qualquer modificação do programa estabelecido. Externam os Ministros de Estado disposição de enfrentar qualquer resistência à mudança, não considerando, de forma alguma, qualquer cogitação de adiamento.
O chefe do Gabinete Civil transmite, na ocasião, a recomendação do Presidente da República ao Ministro da Fazenda no sentido de que colocasse à disposição do Grupo de Trabalho todos os recursos necessários à mudança dos Ministérios. Fica esclarecido que todos os Ministérios já aprontaram a relação dos funcionários que seguirão inicialmente para Brasília. Semanalmente haverá uma reunião ministerial com o objetivo de continuar o planejamento e a execução da mudança do pessoal remanescente. O contato entre o Governo instalado em Brasília e as repartições que permanecerem no Rio até a completa mudança ficará a cargo do Ministério da Aeronáutica, que organizará um serviço para o transporte, diariamente, de dois funcionários de cada Ministério, até um total de quarenta pessoas, que servirão de elementos de ligação.
O Presidente do Banco do Brasil reafirma que, no dia 21 de abril, aquele estabelecimento estará instalado em Brasília, com os respectivos diretores e uma equipe de funcionários, em pleno trabalho.
O titular da Agricultura adianta que, no dia 20 de março próximo, o Ministério estará instalado em Brasília. Todas as providências para o abastecimento já foram tomadas para que o mesmo se apresente em condições normais no dia 21 de abril.
O Ministro da Educação faz um relato sobre os trabalhos realizados a fim de que, ao se efetuar a mudança do Governo, sejam asseguradas as matrículas que se fizerem necessárias ao ensino primário e secundário, em Brasília. Os professores para o ensino primário e secundário estão sendo devidamente selecionados. Com esse objetivo foi aberta uma inscrição para o aproveitamento de cem professores, que servirão na Nova Capital, tendo se apresentado um total de mil e quinhentos candidatos.
Fica assentado que, diariamente, cada Ministério divulgará, através da Agência Nacional, o andamento dos trabalhos relativos à mudança de seu pessoal e de seus serviços.
Adianta o Ministro da Viação que, no dia 20 de abril, estarão em funcionamento 120 canais de micro-ondas, solucionando o problema das comunicações entre Brasília e o Rio.
No dia 25 de março, conforme resolvido, seguirá para Brasília a primeira turma de funcionários da Presidência da República que servirão na Nova Capital. No dia 22 de abril, o Palácio do Catete estará fechado.
O Ministério das Relações Exteriores, que requer condições especiais para seu funcionamento, será instalado, provisoriamente, no edifício do Ministério da Saúde, ocupando quatro pavimentos do mesmo.
O General Nelson de Melo informa que o Marechal Odílio Denys não pudera comparecer, mas que o incumbira de adiantar aos presentes que o Ministério da Guerra está em condições para se transferir para Brasília no dia 21 de abril.
Serviço telefônico – O Departamento de Telefones Urbanos e Interurbanos acaba de instalar, em caráter experimental, doze canais telefônicos de ondas curtas. O sistema utilizado, posto em funcionamento em tempo recorde, facultará a Brasília comunicar-se como todo o país através de telefonemas por onda curta. No momento, a cidade dispõe de 225 aparelhos telefônicos automáticos, com rede aérea provisória, mas está programada para breve a instalação de 5 mil linhas com capacidade para 6.500 telefones, sendo de se ressaltar que nesse trabalho será empregado o equipamento mais moderno do mundo, tipo “cross-bar” E, para futuro próximo, está programada a instalação, no Plano Piloto, de 200 mil aparelhos. Para comunicações com o Rio, São Paulo e Belo Horizonte, será usado o processo de micro-ondas, que difere daquele agora instalado.

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Sistema educacional – O Professor Clóvis Salgado, Ministro da Educação e Cultura, expõe, pela “Voz do Brasil”, os seguintes aspectos do sistema educacional de Brasília:
“Na reunião ministerial, ontem realizada no Palácio do Catete, dei conta das providências que vem sendo tomadas de longa data, para que um bom sistema escolar entre a funcionar em Brasília, na data da mudança da capital. Reproduzo aqui, pela “Voz do Brasil”, as informações prestadas, que são, felizmente, tranqüilizadoras.

Desde o primeiro momento que o Ministério da Educação vem colaborando no plano de construção de Brasília para que a rede escolar tivesse áreas de terreno amplas e bem localizadas, para sua gradual expansão, dentro das condições aconselháveis.
Dos estudos  procedidos por educadores e arquitetos, resultou a distribuição das diferentes unidades escolares pela área urbana projetada, de modo a atender toda a população prevista, com escolas de todos os níveis e ramos do ensino.
Tal distribuição ficou garantida em convênio firmado com a Novacap, quando da entrega dos primeiros recursos fornecidos pelo Ministério para obras escolares. Desse modo, julgo que Brasília oferecerá aos seus futuros estudantes escolas suficientes e, além disso, bem localizadas em relação à residência dos alunos a que devem servir.
Ao esforço público de educação em Brasília veio cedo juntar-se a cooperação da escola privada, que tem sido recebida de braços abertos. Muitos colégios já receberam generosas áreas de terreno, para construção de suas sedes na bela cidade. Três deles já estão em plena atividade prestando ótimos serviços à crescente população estudantil.
Até dezembro de 1959, o sistema escolar de Brasília ficara a cargo da Novacap, que instalou uma rede provisória de ensino primário, bem satisfatória, chegando a abrigar mais de 5 mil crianças. Por seu lado, o Ministério da Educação criou classes para adolescentes e adultos analfabetos.
Desse modo, embora em caráter de emergência, a cidade nascente vinha tendo uma razoável assistência educacional primária. E também uma excelente escola profissional para treinamento rápido do pessoal que chegava, cada dia, sem qualquer preparo. Essa escola, instalada em prédio definitivo, e bem equipada, permanecerá em caráter definitivo.
Novos e excelentes prédios já se acham concluídos para receber as crianças que se vão transferir a 21 de abril: jardins de infância, escola-classe e escola complementar. A escola classe é o nosso conhecido grupo escolar, com novo nome e salas de maior conforto. A escola complementar é quase uma novidade: permitirá que as crianças tenham mais quatro horas diárias de caráter educativo: trabalho manual, práticas desportivas, atividades artísticas e sociais. Um grande progresso, na verdade.
O curso secundário teve o seu calendário ajustado à data da mudança. As aulas começarão a 1º de maio, segundo recente portaria ministerial, na escola pública e no Colégio D. Bosco, cujo novo prédio, em linhas soberbas, ficará pronto naquela data.
O curso secundário, completo, isto é, ginasial e colegial, estará funcionando em boas instalações provisórias, no primeiro período. Mas já no 2º período, isto é, em agosto, passará para uma majestosa sede definitiva que tomou o nome de Escola Compreensiva, por que abrigará não só o curso secundário, como os demais ramos do ensino médio, comercial, industrial, normal e agrícola. É uma experiência nova, esse centro educacional de nível médio, há muito tempo desejado pelos educadores. Brasília vai tê-lo. Para a prática dos alunos do curso agrícola, o Ministério da Agricultura está instalando uma escola agro-técnica na periferia da cidade, que funciona em princípios de 1961.
Para a Universidade, há apenas área reservada e projeto em andamento. A Universidade do Brasil já foi autorizada a fazer funcionar a 6ª série médica em Brasília, aproveitando-se o amplo Hospital que o Ministério da Saúde ali está erguendo. Todas as providências ao lado da Faculdade Nacional de Medicina vem sendo tomadas para que a ordem do Presidente se cumpra. É certo que, em dezembro do corrente ano serão recebidas as transferências dos alunos promovidos à 6ª série, os quais começarão a trabalhar, no Hospital de Brasília, em janeiro de 1961. Essa feliz solução tornou-se possível graças à nova orientação do ensino médico, que reservará a 6ª série apenas para estágio em clínicas fundamentais. Os alunos se beneficiarão com os modernos equipamentos que o Hospital de Brasília vai receber. O Hospital contará com o trabalho gratuito dos doutorandos.
Para lecionar na nova capital não faltarão, felizmente, bons professores. A inscrição aberta, recentemente, encerrou-se com um resultado surpreendente: mais de 1.500 candidatos. Estamos, por isso, fazendo uma seleção rigorosa, para apurar uma centena, isto é, um professor escolhido, em cada 15 candidatos. Já se vê que teremos excelentes mestres, todos com boa prática de ensino, para tornar altamente eficiente a rede escolar da Nova Capital.
Lá o Ministério da Educação já assumiu, através de um novo órgão, a CASEB, a direção efetiva do sistema escolar público. Temos razões para afirmar que nada faltará aos estudantes dos cursos primários e secundários para prosseguirem, normalmente seus estudos em Brasília. Que as famílias confiem nas providências do Governo, é a conclusão desta palestra.”
VASP – A Viação Aérea São Paulo inaugura a linha regular São Paulo, Poços de Caldas e Belo Horizonte, com conexão direta para Brasília.
Presidente Eisenhower – Anuncia-se que os membros da comitiva do Presidente dos Estados Unidos ficarão hospedados no terceiro andar do Brasília Palace Hotel, todo reservado para tal fim. antecipando-se à chegada do Presidente dos Estados Unidos, já se acham ocupando alguns dos apartamentos técnicos da missão de comunicação, à qual cumprirá estabelecer ligações oficiais com aquele país, de forma a possibilitar ao Presidente Eisenhower falar diretamente com Washington, sempre que o desejar.

 

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Produção animal – Por determinação do Ministro da Agricultura, são enviadas para Brasília 55 vacas leiteiras, que acabam de ser entregues à Fazenda-Escola do Ministério da Agricultura, em instalações nas proximidades de Brasília. Esses animais serão revendidos em prestações durante três anos, ao preço de Cr$ 21 a Cr$ 23 mil cruzeiros o exemplar. Outras remessas serão feitas dentro do programa de fomento da produção animal ali em execução pelo Ministério, através de Projeto ETA 44, com a colaboração da Novacap.
Além disso, a própria Fazenda-Escola manterá, dentro em breve, 50 vacas holandesas de alta produção leiteira, para abastecimento local.
Abastecimento – Pela Voz do Brasil, o Senhor Mário Meneguetti, Ministro da Agricultura, profere a seguinte exposição a respeito do abastecimento em Brasília:
“Cabe hoje ao Ministério da Agricultura, pelo seu titular, dar todos os esclarecimentos sobre a situação de Brasília, no que se refere ao abastecimento normal de gêneros de primeira necessidade à população, e também dar a todos uma idéia de como irá funcionar na futura capital o Ministério da Agricultura.
Devo afirmar a todos que me ouvem que a produção hortigranjeira em Brasília dá perfeitamente para abastecer à população da Nova Capital. Quanto à carne, não haverá dificuldade nenhuma. Há abundância de produção e a preços mais acessíveis que os da atual Capital. É claro que é preciso organizar um sistema de distribuição para alimentos de primeira necessidade: supermercados à disposição de pessoas que irão morar no centro da cidade, em apartamentos ou casas de vizinhança. Já estão em vésperas de serem inaugurados super-mercados, construídos pela Novacap. Há abastecimento normal para um grande número de pessoas, mas outros poderão ser instalados, provisoriamente, até que sejam construídos mais super-mercados, até 21 de abril, pois haverá armazéns em estabelecimentos comerciais e mercadinhos, onde a população poderá comprar artigos de primeira necessidade para a sua alimentação.
O planejamento de Brasília, uma vez terminado, talvez seja o inicio de sistema novo no Brasil. Aliás, Brasília é, por si só, uma obra nova e universal como todos o sabem.
Seu sistema de abastecimento, uma vez terminado, se constituirá de super-mercados, com função de abastecimento de núcleos populacionais no máximo de 15.000 pessoas. Quer dizer que essas 15.000 pessoas encontrarão artigos necessários para a sua subsistência perto da zona residencial, sem necessidade de transporte em ônibus ou automóvel particulares; poderão mesmo ir a pé, pois estão sendo organizados esses mercados com todas as utilidades familiares. Até lá, levará algum tempo. Talvez até o fim do ano concluiremos as medidas que vamos tomar.
Eis as razões por que defendi, na última reunião do Ministério da Agricultura, a ida deste Ministério, antes do Governo Federal ser instalado; propus, e foi aceito, que antes do dia 20 ou 25 de março o Ministério deverá mudar-se para reforçar essas medidas referentes ao abastecimento normal da população. É um compromisso que tome voluntariamente e com o máximo prazer, na certeza de que poderemos contornar as dificuldades que existem.
Vejo com satisfação, com todos verão, que essas dificuldades serão contornadas e resolvidas até 21 de abril.
Devo dizer, também, que algumas reações, se é que existem, por parte de parlamentares e outras pessoas que são forçadas a lá se instalar, por um dispositivo constitucional (que todos devemos cumprir), não se justificam: esses parlamentares deverão ficar satisfeitos, como nós também, pois estaremos mais em contato com o povo do interior do Brasil.
É um imperativo democrático que todos devemos assumir com o máximo prazer e grande satisfação.
Como Ministro da Agricultura, devo dizer, estou perfeitamente tranqüilo no que se refere à questão do abastecimento indispensável para aqueles que vão habitar na Nova Capital.
Ao terminar esta palestra, no espaço radiofônico que me é dado utilizar pela Voz do Brasil, devo esclarecer a opinião pública que estamos colaborando com o atual Governo da República, com o Presidente Juscelino Kubitschek, dispostos a dar o máximo de nossos esforços e nosso sacrifício para que se concretize a obra gigantesca que o Governo está realizando. É um motivo de orgulho poder colaborar com a instalação de Brasília, que é hoje uma obra universal, pertencente ao Brasil, à nossa querida pátria.
Estas são as palavras terminais. Espero que todos compreendam a situação real e a importância que tem nossa mudança para o interior do Brasil”.
IPASE – Mais de trezentos operários empenham-se, desde sábado último, dia 13, nos trabalhos de construção de 210 casas de residência, destinadas a funcionários públicos federais. De acordo com o contrato firmado pelo IPASE com a firma construtora, o prazo para a entrega dessas casas é de 150 dias, mas procura-se conseguir que a tarefa seja executada em tempo mais exíguo, de forma a estar cumprida até abril próximo. De acordo com informações colhidas, as residências terão dois e três dormitórios, sala, varanda, banheiro e dependências completas para empregados.
Plataforma rodoviária – Iniciada em fins de dezembro de 1958, acha-se em sua fase final a construção da Plataforma Rodoviária de Brasília, obra projetada por Lucio Costa e cuja execução foi entregue pela Novacap a firma particular, selecionada por concorrência pública. A Plataforma, com 9 metros de altura, é um dos trabalhos mais arrojados deste grande canteiro de obras modernas e será uma das estações rodoviárias mais perfeitas do mundo.
Nela foram gastos 160 mil sacos de cimento, 600 toneladas de aço duro para concreto e 800 toneladas de aço de outro tipo. Terá, além das instalações comuns a tais edificações, restaurante, bar, cozinha, guarda-volumes, quatro escada rolantes e três elevadores, com capacidade para 20 pessoas cada um.


Foto: Arquivo Público do DF


Professorado – Mil e quinhentos mestres, entre especialistas nos cursos primários e secundários, se inscreveram para o concurso de seleção visando a formação dos corpos docentes que o Ministério da Educação e Cultura manterá na nova capital, através da Comissão Administrativa do Sistema Escolar de Brasília – CASEB.
O número de vagas existentes é de apenas cem nesta primeira fase, devendo aumentar brevemente, quando todas as unidades escolares planejadas estiverem em pleno funcionamento. O pessoal docente que for escolhido deverá estar em Brasília no fim do próximo mês de abril, já que o ano letivo ali será iniciado no dia primeiro de maio, de acordo com recente portaria baixada pelo Ministro Clovis Salgado, regulamentando o assunto. No momento, a CASEB realiza uma série de gestões visando fornecer aos professores que forem escolhidos nas provas nos meios adequados para a transferência de suas residências para o Planalto Central.

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Comunicações – Pela Voz do Brasil, o Almirante Ernani do Amaral Peixoto, Ministro da Viação e Obras Públicas, assim expõe a questão de comunicações em Brasília:
 “Nos últimos dias, tem aparecido nos jornais notícias desencontradas a respeito da mudança da capital para Brasília. há como que uma intenção bem definida de criar embaraços a essa mudança, criando situação de desconfiança, entre as pessoas que lá vão residir, sobre as condições que a Nova Capital oferece.
Um dos pontos mais visados tem sido o das comunicações. Diz-se que Brasília ficará isolada do resto do Brasil.
Nós acabamos de ver, através das Caravanas de Integração Nacional, que as estradas, convergindo sobre Brasília, estão dando acesso fácil à Nova Capital. Os caminhões e jipes, saindo do Norte, do Oeste, do Leste e do Sul encontraram-se, na data marcada, em Brasília, em meio às maiores alegrias de todos que lá se achavam e que compreendiam o grande alcance daquele encontro.
Um ponto também muito visado é o sistema de comunicações telefônicas e radio-telegráficas. Diz-se que não há possibilidades de Brasília se comunicar com qualquer parte do território nacional, mesmo com as cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, com a facilidade exigida pela importância que vai ter aquela cidade. Desejo passar em revista o que existe atualmente a respeito e o que está sendo feito, para mostrar que podemos efetuar a mudança tranqüilamente para Brasília, porque o sistema de comunicações o permitirá. Atualmente, as tele-comunicações são efetuadas através de dois transmissores: um de dois canais e um outro de reserva. Esse transmissor maior, de 2,5 quilowatts usa um canal em fonia e outro em telegrafia, via teletipo.
O canal de reserva funciona com 500 watts e trafega em Morse. Esse sistema, naturalmente, construído para o período atual de instalação da Nova Capital, atende às necessidades atuais, mas seria muito precário para a ocasião da instalação do Governo em Brasília. Dentro de poucos dias, porém, teremos mais três transmissores e três receptores em ondas curtas, cada um deles com 4 canais telefônicos, num total de 12 de canais, portanto, usando terminais telefônicos Ericson. Ressalte-se que cada um desses canais poderá ser desdobrado em 12 canais para telegrafia. Desses transmissores,2 já estarão em funcionamento quando recebermos, na próxima semana, a visita do Presidente dos Estados Unidos, e o terceiro entrará em funcionamento antes de 21 de abril, data da inauguração de Brasília. Tais conjuntos já estão sendo usados experimentalmente. Além disso,  Brasília está ligada radiotelegraficamente e por linha telegráfica, com Goiânia e, portanto, com o resto do país.
O grande sistema de comunicações, entretanto, ainda não será esse. Será o de micro-ondas, em ligação direta com o Rio de Janeiro, com um “link” de 120 canais telefônicos, através de Juiz de Fora, Belo Horizonte, Uberaba, Uberlândia  e Brasília. Esperamos que esse sistema esteja em funcionamento no mês de abril; um outro circuito já está sendo estudado para ligar diretamente Brasília a São Paulo, tendo-se em vista, naturalmente, o aumento de serviço, que será extraordinário com a mudança da Capital.
Estamos, assim, perfeitamente tranqüilos quanto às comunicações entre Brasília e o resto do país. Aliás, a próxima visita do Presidente Eisenhower será uma experiência interessante, pois os jornalistas que o acompanham e os jornalistas brasileiros, que lá estarão para registro desse grande acontecimento, pretendem transmitir de Brasília 100 mil palavras por dia, e nós acreditamos que será possível alcançar esse número.
As ligações ferroviárias seguem o programa traçado e acredito que, até o fim deste ano, Brasília estará ligada a Anápolis. Os trabalhos, que já não estão mais na fase de estudos, e sim na de plena execução, seguem o seu ritmo normal.
Portanto, como os brasileiros acabaram de constatar, este alarma, esta grande celeuma que se faz em torno da impossibilidade da mudança, sob o aspecto das comunicações, não tem o menor fundamento. Vamos aguardar o dia 21 de abril, quando o Governo, instalado em Brasília, iniciará uma nova era de progresso para o nosso país.
Vamos registrar mais um fato: a ligação de Brasília com o Território do Acre. Isto, alguns anos atrás, poderia parecer um sonho, um sonho inteiramente irrealizável. Não fora a construção de Brasília, possibilitando estradas que convergem para essa cidade, nós não poderíamos nem sequer pensar em entrosar o Acre com o sistema rodoviário brasileiro. Temos esperanças de que, antes do fim do atual Governo, já essa ligação estará terminada.
Vamos mudar a Capital para Brasília, e isto representará, certamente, uma nova fase para o Brasil. Fase de progresso, que vai estimular a confiança dos brasileiros neste grande país.”

Energia elétrica – A rede de energia elétrica de Brasília, que é subterrânea e oferece a característica de permitir a realização de consertos sem necessidade de perfuração do asfalto, terá, em sua primeira fase, a extensão de 400 quilômetros. Desse total, já estão concluídos 290 quilômetros, sendo que até o dia 10 de março o abastecimento de energia deverá estar estendido até as superquadras. A energia procede da subestação da CELG, através de fios aéreos, os quais, à distância de 1 quilômetro do Plano Piloto, passam para a rede subterrânea.

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Presidente Eisenhower – Anuncia-se que no aeroporto de Brasília será construída uma estação provisória, que abrigará, além dos aviões que conduzirão os Presidentes dos Estados Unidos e do Brasil, 4 aviões dos tipos “Boeing” 207 e 727, que transportarão a comitiva do Presidente Eisenhower. Nesse local, será realizada a primeira cerimônia oficial em homenagem ao estadista norte-americano: o desfile de soldados da 6ª. Companhia sediada na cidade.
Cinegrafistas de toda a parte do mundo estão chegando a Brasília para colher flagrantes da visita que o Presidente dos Estados Unidos fará à nova capital do Brasil. Serão feitos filmes em cores e em cinemascope, para exibição nas telas dos cinemas de todas as cidades da terra. Números repórteres, dos mais categorizados, já se encontram em Brasília.
Televisão – Aceleram-se os trabalhos de construção da torre de televisão de Brasília. A firma incumbida da montagem vem desenvolvendo esforços no sentido de concluir a empreitada no prazo previsto. A torre, que se encontra localizada no eixo rodoviário, terá 150 metros de altura, sendo assentada numa base de cimento de 70 metros.
Banco do Brasil – Em entrevista à Agencia Nacional, o senhor Ascânio de Faria, diretor da Divisão de Caça e Pesca do Ministério da Agricultura, declara que o grande lago de Brasília, que já está sendo povoado de várias espécies de peixes, destinados à alimentação da população da futura capital, vai receber, agora, mais dois mil mandis, do Rio Mogi-Guaçu, em Pirassununga, São Paulo.
Quanto aos trabalhos de peixamento do grande lago, que vem sendo feito há algum tempo, declara o diretor de Caça e Pesca:
- Instalamos, por conta da Novacap, sete tanques para criação de peixes, visando ao povoamento do lago que tem 176 quilômetros de perímetro. Os tanques são de 40x10 metros, ou 400 metros quadrados, e já estão peixados com as seguintes espécies: Tanques 1 e 2 – Tilápia (tilápia melanopleura), espécie herbívora que importamos do Congo Belga. Atinge, no Brasil, até 2 quilos de peso, alimentado-se de capim de planta, folhas de batata-doce, de bananeira, etc. sendo grandemente prolífera. Tanque 3 – Tucunaré (cichla ocelaris) – peso máximo de 3 quilos. Cria-se em conjunto com a tilápia, que lhe serve de alimento. É uma espécie esportiva.
No tanque 4 cria-se o BlueGill, que atinge até 800 gramas (é uma espécie de pequeno porte), servindo de alimento para o Bass. Tanque 5 – Black-Bass (micropterus salmoide), espécie para águas frias, de grande porte, podendo atingir o peso recorde de 12 quilos e o peso comercial, com 2 anos, de 3 quilos. É uma espécie assalmonada, alimentando-se de Blue-Gill.
Na América do Norte a produção de Bass nas fazendas, em tanques, atinge anualmente a 200 milhões de quilos, segundo estatísticas do ‘Fish and Wildlife Service’.
Tanque 6 – Apaiaris (Astronetas acelatus), do Amazonas, atingindo até 1 ½ quilos. É muito saboroso.
Tanque 7 – serve de repositório para os alevinos que nascem nos demais tanques.
Esclarece o Diretor da D.C.P. que o plano já elaborado para daqui por diante será o seguinte: a) lançar no grande lago, em dezembro e março de cada ano, duas remessas de alevinos, na seguinte ordem: 1 – Alevinos de tilápia e Blue-Gill (peixe alimento); 2 – Alevinos das espécies nobres, de valor comercial. Os peixes-alimentos (tilápia e Blue-Gill), servirão de base para a criação do tucunaré e do Bass, embora também sirvam de alimentação para a população local.
As tilápias, os tucunarés, os Blue-Gill e os apaiaris foram transportados para Brasília do Km 47 – Universidade Rural – do Posto de Piscicultura da D.C.P.
- Já dispomos em Brasília de mais de 20 mil tilápias, informa finalmente o Sr. Ascanio de Faria, que serão lançadas em março, no grande lago.
Deputado Abelardo Jurema – Pela Voz do Brasil, o deputado Abelardo Jurema, líder da Maioria na Câmara dos Deputados, profere a seguinte alocução sobre a mudança da Capital para Brasília em 21 de abril próximo:
“Brasília constituiu uma constante em todas as nossas cartas constitucionais, desde 1891. Era assim um velho sonho a nos embalar dos primeiros dias de nossa formação republicana. A marcha para o Oeste imprimiria novos contornos à fisionomia política e econômica da Nação. Seria, sem dúvida, um reajustamento de nossas fronteiras econômicas àquelas fronteiras políticas que os nossos bandeirantes plantaram nos nossos sertões, escrevendo epopéias de sangue, de coragem, de sacrifício e de lutas épicas.
Ao espírito bandeirante, superpõe-se o espírito de pioneiro que o Presidente Juscelino Kubitschek plantou na consciência brasileira.
Rompendo com a rotina, sacudindo o gigante, dando todo vapor às nossas energias criadoras, o Presidente Juscelino Kubitschek desafiou o tempo, lançando-se à construção de Brasília. Há pouco mais de dois anos, lá estava o planalto virgem e a nova capital apenas numa miragem. Hoje, uma visão panorâmica, Brasília já rasga os céus com os seus edifícios e já indica ao País um novo destino. 80.000 brasileiros lá estão concluindo as obras da nova capital, desde as estradas às avenidas, dos edifícios públicos aos conjuntos residenciais, dos hospitais às escolas, das instalações elétricas aos serviços de abastecimento d’água, dos serviços telefônicos às redes de telecomunicações com o Brasil e o mundo, dos hotéis às agências bancárias, do Palácio da Alvorada ao Palácio do Congresso, do Palácio dos Despachos ao Palácio da Justiça, do grande lago às barragens para o aproveitamento hidrelétrico, do aeroporto às estações rodoviárias e ferroviárias, dos prédios comerciais aos aviários, dos cinemas aos mercados, dos clubes aos quartéis, tudo enfim que possibilite a habitabilidade para os primeiros brasileiros que de Brasília anunciarão a sua instalação oficial como Capital do Brasil em 21 de abril de 1960.
Nessa tarefa gigantesca de integração nacional, os legisladores que se mantiveram coerentes com o nosso passado constitucional não falharam no seu apoio à obra empreendida pelo Presidente Juscelino Kubitschek; todas as leis foram elaboradas, todos os recursos legais concedidos. Agora o Presidente Juscelino Kubitschek anuncia à Nação que Brasília já está em condições de receber o Governo. Executivo, Judiciário e Legislativo lá estarão em 21 de abril próximo.
Cumpriu o Presidente Juscelino Kubitschek a sua missão histórica, cabendo agora à Nação, ao Povo, a sua missão de trazer o futuro para o presente, dentro da conjuntura política, social, econômica e administrativa, irradiando de Brasília, em todas as direções, a ação realizadora de consolidação e expansão do que a nova capital significará para os destinos nacionais.
De meta-síntese dos planos de Governo para a nossa emancipação econômica, Brasília surge como o grande passo para o amanhã sem subdesenvolvimento, sem desníveis regionais, sem conformação com o pauperismo, dentro de rumos seguros para uma sobrevivência digna como Nação abençoada por Deus, engrandecida pelo povo brasileiro.”

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Presidente Eisenhower – Às 14,30 horas chega à região de Brasília, procedente de Porto Rico, o Boeing 707 em que viaja o Presidente Dwighat D. Eisenhower. O entusiasmo que se apossa da multidão, ansiosa por melhor se colocar quando do desembarque do Presidente dos Estados Unidos da América, leva-a a ultrapassar os cordões de isolamento, o que retarda de alguns minutos a descida do avião. O Boeing presidencial desliza, finalmente, pela pista e, no topo da escada colocada à porta, aparece o Presidente Eisenhower.
Centenas de autoridades civis, militares e eclesiásticas, tendo à frente o Presidente Juscelino Kubitschek e esposa, aguardam o desembarque do estadista norte-americano.
Uma grande multidão completa o quadro festivo, formada pelo moradores e operários de Brasília e, também, por numerosas caravanas vindas de outras cidades e, mesmo, de outros Estados.
Colocados em palanque especialmente armado para esse fim, a cerca de 30 metros do local de desembarque, entram em ação dezenas de fotógrafos e cinegrafistas brasileiros e estrangeiros, para documentar o encontro dos dois Presidentes. Estes trocam efusivos cumprimentos, enquanto troam as salvas da artilharia de estilo. Prestadas as honras militares, segue-se a apresentação das autoridades ao Presidente Eisenhower e à sua comitiva.
Como parte das solenidades de recepção, bandas militares executam os Hinos dos EE.UU. e do Brasil. O presidente da Novacap, faz entrega da chave da cidade ao Presidente Eisenhower, que, sob intensa ovação de todos os presentes, toma lugar no carro aberto e, de pé, acenando para os manifestantes, ruma para a cidade, na companhia do Presidente Kubitschek, à frente do cortejo de veículos conduzindo as autoridades.
O aeroporto, como a rodovia e a área urbana da nova Capital, estão engalanados para a ocasião, ornamentados com milhares de bandeiras e apresentando um aspecto realmente festivo.
Sempre de pé no automóvel, sorridente e acenando para o povo que o aclama, o Presidente Eisenhower, que traja um terno azul-marinho, é alvo de outra manifestação popular ao chegar à plataforma do Eixo Monumental, onde se reúne também uma multidão considerável, a maior até hoje vista em Brasília, ovacionando e agitando bandeirolas. Por entre a intensa vibração do povo, os dois Presidente tomam lugar no palanque ali armado, ouvindo-se então, executados por bandas militares, os Hinos Nacionais dos Estados Unidos e do Brasil.
O Presidente Juscelino Kubitschek profere, então, sua saudação ao Presidente Eisenhower.
Agradecendo, o Presidente Eisenhower profere em inglês discurso que é traduzido por seu interprete.
Após a solenidade na plataforma do Eixo Monumental, os dois Presidentes percorrem, de automóvel, alguns trechos da cidade, detendo-se na Praça dos Três Poderes, onde se visita o Palácio dos Despachos.
Do Palácio, os dois Presidentes dirigem-se ao sítio em que se ergue o monumento comemorativo da visita do General Eisenhower a Brasília, local onde se lê o documento firmado na ocasião, a Declaração de Brasília.
Alguns metros mais adiante, realiza-se a solenidade do lançamento da pedra fundamental da futura sede da Embaixada Americana em Brasília – usando-se um bloco de granito retirado do Dedo de Deus e oferecido pelo Prefeito do Município Fluminense de Teresópolis.
O Presidente Juscelino Kubitschek acompanha, a seguir, o Presidente dos Estados Unidos ao Palácio da Alvorada, onde o General Eisenhower se hospeda.
À noite realiza-se no Palácio da Alvorada uma recepção, a que se segue um jantar intimo.

Transporte de bagagem – Anuncia-se que, a partir de 10 de março, 2.333 caminhões farão o transporte da bagagem dos funcionários que em Brasília deverão estar funcionando no dia 20 de abril. Esses veículos sairão carregados do Rio de 30 em 30 minutos, durante quarenta dias e quarenta noites, a fim de que o transporte esteja terminado à véspera da transferência da Capital. A operação de instalação do primeiro grupo de funcionários requererá mão-de-obra estimada em 500 mil homens-hora.

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Presidente Eisenhower – O Presidente dos Estados Unidos para de Brasília, pela manhã, rumo ao Rio de Janeiro.

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Fundação da Casa Popular – A Fundação firma contrato com o Grupo de Trabalho de Brasília para a cessão, mediante arrendamento, dos 840 apartamentos que formam as segunda e terceira etapas do Núcleo Residencial daquela entidade na nova Capital. Tais apartamentos, distribuídos em 28 blocos de três andares, vão ser ocupados por servidores públicos federais que, em razão de suas funções, neles instalarão suas residências.
Assinam o contrato o Superintendente da Fundação e o Diretor Geral do DASP, este em sua qualidade de dirigente do Grupo de Trabalho.
Na oportunidade, manifesta o diretor geral do DASP sua satisfação por ver concretizada essa etapa do amplo concurso da FCP para a solução do problema residencial em Brasília, onde a presença da mesma entidade – presença realmente pioneira, pois foi, ali, a primeira instituição a iniciar construções e a primeira a inaugurar conjunto residencial – está representada por obras de grande vulto.
Com efeito, as realizações da FCP em Brasília representam contribuição das mais importantes para que possa o Governo atender ao problema de habitação na nova metrópole. Começou a FCP construindo um grande conjunto residencial constituído de 500 casas, muito confortáveis e em estilo moderno, segundo projeto de Oscar Niemeyer. Esse conjunto foi inaugurado em agosto de 1958 e se encontra habitado desde então.
Seguiu-se a construção (2ª e 3ª etapas) do grupo de 840 apartamentos, concretizada em pouco mais de 200 dias úteis.
A Fundação já iniciou a construção na nova Capital de mais 180 apartamentos, conjunto que significa sua quarta etapa de obras na grande metrópole.
SAPS – Ao completar três anos de trabalho em Brasília, o Serviço de Alimentação da Previdência Social – SAPS,  - do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, está com um plano de ação que fornece cinco mil refeições diárias a trabalhadores nas mais variadas obras da nova Capital. Além do total de refeições indicadas, o SAPS ainda fornece mais de quinhentas refeições às empresas construtoras e aos que procuram suas instalações. Embora a sede do Serviço tenha sido preparada para fazer três mil e duzentas refeições por dia, o movimento foi aumentando, dado o ritmo acelerado que tomaram as obras, e os servidores se viram obrigados a multiplicar esforços para o atendimento a todos que comparecem ao seu refeitório para almoçar ou jantar. Oitenta funcionários de várias categorias compõem a equipe do SAPS em Brasília.
O abastecimento para o refeitório de Brasília é feito por meio de concorrência pública, sempre na fonte de produção, principalmente nas cidades de Anápolis, Goiânia, Formosa, Luziânia e Planaltina, havendo vezes que na própria capital isto também se torna possível, tendo-se em vista a formação do cinturão verde, para o qual já contribuem os colonos japoneses ali localizados.

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Jóquei Clube de Brasília – Eleito Presidente do Clube, o senhor Vasconcellos Costa, interventor do Governo Federal junto à Prudência Capitalização, concessionária do Brasília Palace Hotel.

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Tráfego aéreo – Em 1959, o tráfego aéreo comercial em Brasília mostrou-se superior, em número de pousos e decolagens, ao do aeroporto internacional do Galeão, na atual Capital da República. Os dados estatísticos fornecidos pela Diretoria de Aeronáutica Civil e divulgados pelo IBGE acusam, em 1959, um total de 6.741 pousos e 6.738 decolagens em Brasília, enquanto que os números apurados para o Galeão registram, respectivamente, 5.882 e 5.889.
O movimento de aeronaves comercias na Novacap apresenta, portanto, uma vantagem da ordem de 15%.
Transportaram-se para Brasília, por via aérea, no correr daquele ano, 88.194 passageiros e  lá embarcaram 84.052 passageiros. Embora esse movimento tenha sido ligeiramente menor do que o do aeroporto do Galeão (95.935 passageiros desembarcados e 97.743 embarcados) não está longe de alcançá-lo. Vale notar que o total de passageiros chegados de avião a Brasília – o que dá a medida de seu interesse turístico – supera em mais de vinte milhares a população ali residente (64.314 habitantes, segundo o último Censo).
Relativamente ao transporte de volumes, o aeroporto da Nova Capital já mostra resultados apreciáveis. No ano passado foram desembaraçadas 1.645 toneladas e embarcadas 774 toneladas de mercadorias. São no entanto ainda modestas as quantidades de correspondência e encomendas postais transportadas por via aérea: 2.333 quilos enviados e 3.140 quilos recebidos.
Fonte: Coleção Brasília VII – Diário de Brasília – 1960. Presidência da República.

 
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Brasília Poética 2007