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07 de Fevereiro de 2010

Cassiano Ricardo, em “Toada pra se ir a Brasília”, adverte sobre os “malefícios” do sol marinho, e promete: “Vou-me embora pra Brasília,/sol nascido em chão agreste”. Razões de sobejo encontrava para tão firme decisão, não são poucas as que vai enumerando em cada estrofe, em cada verso. Começa por afiançar que “a esperança mora a oeste”, que aqui reencontraria a infância, o avô (Anhangüera), nesta terra nunca haveria saudade (por inexistirem aqui as ruas vetustas e sinuosas, os quintais povoados de folguedos), etc. É sabido que o poeta ficou nos nobres propósitos, Brasília por ele aguardou inutilmente, mas ele ao menos contribuiu em favor da boa imagem da cidade nascente, em um tempo em que muitas a tinham como impossível, inviável, absurda, e nada mais que fruto de insanos projetos faraônicos. “Toada pra se ir a Brasília” é, provavelmente, o mais divulgado de todos os poemas brasilienses. Familiares de C.R. aludem ao seu grande apreço por esse poema, que ele deixou como “legado” aos descendentes.

Transcrito de “Esses poetas, esses poemas”, antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira

 

 
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Brasília Poética 2007